Jornal de Portugal destaca Cultura do Nordeste e lembra força de Pedro Osmar

Cultura 29/12/2016 às 19:05


O jornal português "Público" divulgou, nesta terça-feira (28), reportagem especial sobre a cultura popular no Nordeste brasileiro. Passando pela música e repente, literatura e cordel, a publicação prestigiou nomes como Pedro Osmar, Chico César, Euclides da Cunha e Graciliano Ramos.
 
Confira o texto disponível no sitel Publico.pt:
 
Dona Neomísia é católica num mar de evangélicos. No meio da reunião familiar no alpendre da casa, chama a neta que há muito vive em Portugal: “Você assoveia?” Ao que esta responde, meio intrigada: “Assoveio, sim”. E a anciã, por trás das lentes grossas que já pouco lhe alumiam a vista, contesta: “Não pode não, é pecado!”
 
No Alto Sertão da Paraíba, na cidade que homenageia Pombal, como aliás por todo o estado, vive-se na omnipresença de Deus: nas conversas, nos rituais, na rádio, na televisão, nas referências histórico-culturais e no presente mais corriqueiro – os carros carregam-se de mensagens de fé, no muro de uma fazenda lê-se “Deus é grande já”.
 
A presença forte da religião por aqui vem de longe, do tempo da colonização portuguesa. Entre o obscurantismo da fé europeia, o animismo dos africanos e dos indígenas do Brasil se construiu uma sociedade de fé. Na história do sertão cruzam-se coronéis, cangaceiros, padres revolucionários, misticismos, profecias, milagres que se foram cristalizando pela dureza da existência.
 
Euclydes da Cunha, em “Os Sertões”, chama-lhe uma “mestiçagem de crenças” que, partindo de uma religião trazida por “gentes impressionáveis” de “misticismo feroz”, com “obsessão dolorosa” pelos milagres e “assaltado de súbitas alucinações”, se rebate com o “feiticismo do índio e do africano”, isto num ambiente malsão que ameaça mais do que recompensa.

VITRINE DO CARIRI
Wscom

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