Os filmes paraibanos “Stanley” e “Aroeira” estão na 20ª Mostra Tiradentes

Entretenimento 02/01/2017 às 10:43


Agendado para acontecer de 20 a 28 de janeiro, a 20ª Mostra Tiradentes já está com programação fechada e traz em seu leque audiovisual 72 curtas-metragens. No total foram 11 estados brasileiros selecionados, divididos em 10 mostras temáticas. Por exemplo, temas como crise política, questões sociais e violência contra a mulher são alguns dos temas mais presentes na seleção, que terá também outros recortes a serem apresentados. As exibições irão acontecer gratuitamente nos três espaços a serem especialmente preparados: Cine-Praça (Largo das Fôrras), Cine-Tenda e Cine-Teatro (Centro Cultural Yves Alves), na cidade histórica de minas.
 
Para Lila Foster, uma das curadoras do evento, a dimensão estética dessas questões resultou em projetos realistas muitas vezes pontuados por aspectos fantásticos, distópicos ou a mistura de uma realidade bruta com toques de ficção científica. “Acho que o mais marcante foi a urgência em tratar de temas como a violência envolvida em todas as questões de gênero/sexualidade, o esgarçamento das relações sociais mediadas pela questão do trabalho, a crise nas cidades – a moradia, a violência urbana, o transporte –, a tensão que marca tanto a experiência individual como coletiva”, apontou ela.
 
Como dito anteriormente, 11 regiões estão fazendo parte da mostra. E em sua lista de Estados estão presentes Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul. Todos eles dentro das mostras Foco, Panorama, Homenagem, Praça, Cena Mineira, Cena Regional, Experimentos, Formação, Jovem e por fim, mas não menos importante Mostrinha. Após saber como irá funcionar tudo, um dos grandes destaques da noite são as produções paraibanas intituladas “Aroeira”, de Ramon Batista e “Stanley”, de Paulo Roberto.
 
Inicialmente, comecemos a explorar o universo que Aroeira que trazer as telas de cinema. Em resumo o filme é baseado em uma história real vivida na década de 40, no baixo sertão da Paraíba e aposta na força da tradição, ressaltando um costume religioso e milenar. Mergulhando ainda mais na história, um velho ermitão, conhecedor de rezas e plantas medicinais, encontra no meio da caatinga um homem ferido ao qual se dedica a ajudar. Dessa forma, a produção cinematográfica se revela um sertão solitário e abandonado, mas resistente e forte com seus últimos sobreviventes.
 
Já o outro título “Stanley”, do diretor Paulo Roberto, conta a história de um garoto que quando tinha sete pra oito anos de idade via o pai conversando com um amigo. Durante a conversa ele não entendia muito bem o que eles estavam falando. Mas, de uma coisa o garoto sabia e lembrava - os lábios dos dois durante a conversa se mexendo. No final das contas ele ficou com vontade de beijar a boca do amigo do seu pai. “O filme possui uma construção do clima de tensão, mistério e sensualidade bem feitos. Desse modo me contempla por eu, como diretor do filme, conseguir atingir com minha obra o efeito desejado. E isso vibra em mim”, contou o diretor Paulo Roberto.
 
Traduzindo tudo que é visto durante a exibição do curta, ele trabalha de descobertas, relações humanas e construção da personalidade do indivíduo. Portanto, o início da descoberta da sexualidade é um momento único na vida de qualquer um. “Ser selecionado para a 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes e uma conquista do filme que não tem tamanho. Sinto muito orgulho porque se trata de uma das maiores mostras de cinema independente do Brasil. Foram inscritos mais de 700 filmes e para a Mostra Panorama (sessão que Stanley está incluído) foram selecionados 16 curtas-metragens originários de 7 estados brasileiros, então é bastante recompensador fazer parte desse grupo que é tão seleto. 
 
A temática dessa edição de Tiradentes é “Cinema em Reação / Cinema em Reinvenção” e “Num mundo de contradições explícitas disfarçadas de coerências inabaláveis, ter uma atitude política tornou-se, acima de tudo, usar palavras belicosas em coro contra ou a favor de algo (mais contra que a favor)...”, palavras do presidente da curadoria da mostra, Cleber Eduardo, contempla Stanley por entender que o filme, o cinema é um ato político, um ato que chama através de imagens em movimento e sons para o embate”, contou o diretor.
 
Novidade
 
Uma novidade em 2017 é a mostra Experimentos, que reúne filmes com novas proposições nas relações entre som e imagem casos de A propósito de Willer, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP); Confidente, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes (RJ); Gozo/Gozar, de Luiz Rosemberg Filho (RJ); e Sem Título # 3 : E para que Poetas em Tempo de Pobreza?, de Carlos Adriano (SP). 
 
Nas demais seções, a curadoria destaca a fortíssima presença de filmes que respondem a questões contemporâneas e urgentes, em âmbito político e social. “Temas como impeachment, crise política e manifestações populares, assim como a tragédia ambiental em Mariana, apareceram com muita força nos títulos deste ano”, afirmou Pedro Maciel Guimarães, também integrante da curadoria do evento. “Também as discussões de gênero, o empoderamento feminino e o posicionamento contra a cultura do estupro aparecem significativamente, completou Guimarães.
 
Segundo Lila Foster, uma das integrantes da curadoria do evento, o experimental chamou atenção no processo de seleção. “Teve uma quantidade expressiva de filmes com essas propostas e um desejo potente de tomar o cinema como arte autorreferencial e em ligação direta com o trabalho de poetas literários e cinematográficos”, disse. Ainda durante a entrevista Foster completou dizendo que a experiência com os aspectos plásticos e o registro do mundo natural condensaram um olhar para a matéria-prima do mundo artístico e da natureza, ressaltando que nossos olhos e ouvidos precisam existir, antes de tudo, de forma livre.

VITRINE DO CARIRI
A União

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