Simorion Matos fala sobre débito do Estado com emissoras de rádio e outros assuntos

Policial 08/01/2017 às 18:23


 SEM VOZ

 
Não é dos melhores o crédito do Governo do Estado da Paraíba com as emissoras de rádio. A ASSERP – Associação das Emissoras de Rádio da Paraíba reuniu em Campina Grande na semana passada as emissoras associadas à entidade para discutir as pendências de pagamento do Governo do Estado.
 
Em ofício encaminhado ao Secretário de Estado da Comunicação a entidade comunicou que se intensificam as queixas das rádios associadas à ASSERP, sobretudo daquelas situadas no interior do Estado, em razão dos sucessivos atrasos e descumprimento das promessas de pagamento pelo Governo da Paraíba, não obstante as reiteradas solicitações das emissoras.
 
Nesse contexto, as emissoras de rádio deliberaram, em conjunto, não mais veicular os programas e mídias sob a responsabilidade da SECOM até que seja quitada parte da dívida em atraso, bem como se estabeleça um cronograma de pagamentos.
 
REPERCUSSÃO POSITIVA                                                                                 
 
É bastante positiva a repercussão das primeiras ações da prefeita de Monteiro, Anna Lorena, que começa a sua gestão de forma dinâmica, reunindo a equipe e reafirmando que deseja muito empenho e união de todos, com ações integradas e soluções rápidas para as demandas da comunidade.
 
Os nomes anunciados como integrantes do primeiro escalão são bem avaliados pela população e no seu discurso de posse a prefeita afirmou que vai cobrar resultados.
 
TIRANDO O LIXO
 
Em Princesa Isabel, o prefeito Ricardo Pereira dedicou a primeira semana de trabalho, prioritariamente, à retirada de toneladas de lixo acumulado nas ruas, herança maldita deixada pelo ex-prefeito Dominguinhos. Tinha lixo até na calçada da Prefeitura.
 
Em seus primeiros pronunciamentos, o prefeito Ricardo Pereira afirmou que estará realizando também a operação tapa-buraco e já determinou providências para o pagamento aos funcionários municipais referente ao mês de janeiro dentro do mês trabalhado.
 
AMCAP
 
Muito acertada a escolha do prefeito Ronaldo Queiroz (Gurjão) como novo presidente da AMCAP – Associação dos Municípios do Cariri e Agreste Paraibano. Realizando um excelente trabalho como gestor de Gurjão, o prefeito tem tudo para fazer um brilhante trabalho dirigindo a entidade municipalista da qual tive a honra de ser Secretário Executivo durante 3 anos, nas gestões dos presidentes Braz Fernandes (Congo) e Arnaldo Júnior (Cabaceiras), quando a sede era em Serra Branca.
 
Aliás, tenho uma opinião pessoal de que nunca entendi o porque da transferência da sede da AMCAP de Serra Branca para Campina Grande.
 
VISITANDO A TRANSPOSIÇÃO
 
O mano Vimário Simões, professor da UFCG, esteve em Monteiro na semana passada e aproveitou para visitar as obras da transposição do rio São Francisco.
 
Ficou muito animado com o ritmo das obras e se incorporou aos que acreditam na chegada das águas do Velho Chico ainda este ano no açude de Boqueirão, para abastecer Campina Grande.
 
SAUDADE DE MONTEIRO
 
O monteirense Valdeir Morais, que se lembra das minhas cachaçadas com Biu Catita nos anos 70, nos escreve comentando sobre sua saudade de Monteiro e cita versos do pajeuzeiro Manoel Filó. O comentário de Valdeir nos fez lembrar de Filó, destacado no quadro COISAS & CASOS desta semana.
 
COISAS  & CASOS
 
Tive a felicidade de conviver um bom tempo com o poeta Manoel Filomeno de Menezes – Manoel Filó. Além das rodas de farra e de glosas em Monteiro e São José do Egito, estivemos juntos em festivais de violeiros de Arcoverde, Serra Talhada e Petrolina e dezenas de cantorias, ao lado de grandes figuras da cultura nordestina, como Zé de Cazuza, Zé Marcolino, Antônio de Catarina.
 
Dentre as inúmeras produções de Manoel Filó, destacamos o belíssimo poema no mote TODO DIA MUDA A COR / DO QUADRO DA MINHA VIDA:
 
 
Preso a forte nervosismo
 
Sinto duras agressões
 
Me tangendo aos empurrões
 
Para os confins do abismo
 
Por falha no organismo
 
Meu coração já trepida
 
Minha mente poluída
 
Passa um filme de terror
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
 
Para os trabalhos normais
 
Me considero indefeso
 
Ontem suspendi um peso
 
Que hoje não posso mais
 
Já demonstrando os sinais
 
Duma coluna pendida
 
Que só será corrigida
 
Se a idade também for
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
 
Eu nunca consegui ter
 
Um palacete encantado
 
Mas mesmo sacrificado
 
Sempre gostei de viver
 
Só não acertei fazer
 
Uma tinta garantida
 
Que sempre, ao ser removida
 
Desse o brilho anterior
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
 
Como a velhice é malvada
 
Perto do fim da viagem
 
Me atrapalhando a miragem
 
Nos grutilhões da jornada
 
Já vou minguando a passada
 
Igual a onça ferida
 
Que aceita ser socorrida
 
Pelo monstro caçador
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
 
Raramente vou à missa
 
Quando volto, é sem coragem
 
Que mesmo curta a viagem
 
Gera cansaço e preguiça
 
A dentadura postiça
 
Me deixa a fala espremida
 
Até a própria comida
 
Desequilibra o sabor
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
 
Meus tempos de mocidade
 
Deus não consente voltar
 
Eu não consigo passar
 
Sem ser vítima da saudade
 
Com o pincel da idade
 
Minha pele foi tingida
 
A feição diminuída
 
Como o verão faz na flor
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
 
Nos tempos da meninice
 
Comecei pagando um ágio
 
Não me livrei dum naufrágio
 
No temporal da velhice
 
Tudo que o mundo me disse
 
Teve a verdade medida
 
O sol da minha partida
 
Já vai perto de se pôr
 
Todo dia muda a cor
 
Do quadro da minha vida.
 
 
Contatos com a coluna: simorionmatos@gmail.com
 
VITRINE DO CARIRI
Por Simorion Matos

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