Rieg faz 'trip-hop retrofuturista' com visual distópico inspirado nos anos 80

Entretenimento 31/01/2017 às 09:32


 Uma televisão de tubo com imagem estática, monitores antigos de computador, aparelhos de vídeo-cassete, som em oito bits, projeções bizarras de VHS e luzes coloridas. A descrição poderia ser claramente de um cenário dos anos 1980, mas a presença de um notebook e da música digital deixam claro que o som e o visual da banda Rieg são bastante modernos. O trio, liderado por Rieg Rodig, norte-americano filho de um francês com uma paraibana de Campina Grande, é o convidado do segundo episódio do programa “Som Nascente”. 

 
A banda surgiu em João Pessoa no final de 2009, por meio da união entre o vocalista Rieg, que já tinha lançado um trabalho solo e atuado nas bandas pessoenses Madalena Moog e Star 61, o baixista Daniel Jesi e o baterista Nildo Gonzalez. A dupla de vocais e baixo também compartilha os samplers e sintetizadores que caracterizam o som do trio como uma viagem entre o trip-hop e o funky soul, passando pelo pop experimental - com músicas em inglês, português, francês e alemão -, que casam com a estética de palco e com o visual do grupo.
 
“Nós sempre tivemos essa coisa meio visual no jeito de compor nossas músicas. A gente pensa numa história e depois quando vamos para a composição musical, as inspirações e o visual da coisa como um todo vem naturalmente”, explica Rieg. Para o baixista do trio, o visual da banda influencia no som. “Quando Rieg mostrou a ideia do projeto, notei que tinha um poder visual muito grande. O cenário está ligado diretamente ao som e tudo conta a mesma história”, diz Jesi.
 
O primeiro trabalho do grupo, um EP intitulado “The Histrionic”, foi lançado em 2010, seguido do single “How Ya Livin’”. A partir de 2014, a banda começou a trabalhar no primeiro álbum, o conceitual “12:00”. O primeiro trabalho do disco foi lançado por meio do single “Fiver”, em agosto do mesmo ano.
 
O visual retrofuturista da banda ganhou projeção mundial quando o vídeo da música ‘Fiver’ foi escolhido pelos donos do site The Pirate Bay, maior e mais controversa plataforma de compartilhamento de arquivos na Internet, para ilustrar a página principal do site. “Eles escolhiam vídeos de músicas que gostavam e deixavam por um tempo na página. Foi muito engraçado porque eu já frequentava o Pirate Bay e de repente, do nada, apareceu nosso single lá e de um dia pro outro, tínhamos mais de 60 mil visualizações no YouTube”, comenta Rieg.
 
Com a repercussão de Fiver, a banda adiantou os EPs “I Don’t Know” e “Leave it to Me”, que também fazem parte de 12:00. “Para este disco, estamos concluindo também o terceiro EP, a ser chamado 'Witchwitchwitch'”, explicou o vocalista.
 
Álbum conceitual
 
A inspiração para criar um disco conceitual, em que todas as músicas estão relacionadas entre si como capítulos de uma mesma história, se deu a partir da questão estética da banda. “Às vezes, só a música não transmite toda esta questão que a banda tem e que é muito forte. Por isso mesmo, o álbum não vai ser só feito por músicas, ele também vai ser lançado em formato visual, gravamos vídeos das músicas que serão lançados em conjunto”, comenta Rieg.
 
O álbum se passa em um universio distópico e conta a história de uma criança de 12 anos que acha no sótão da casa onde mora uma coleção de fitas VHS do pai que faleceu. “Ao assistir os filmes que o pai gravou no aparelho de casa, ele conhece melhor um lado obscuro do próprio pai que ele não sabia. Cada música representa uma cena diferente dos filmes e estão ligadas às neuroses do pai da criança, uma espécie de psicose imaginária induzida pela companhia Terrible Inc por meio de mensagens subliminares. 
 
Inicialmente, o menino fica perturbado e chocado com o lado desconhecido do pai, mas aos poucos ele vai entendendo melhor e descobre que na verdade todo ser humano tem esse lado estranho”, explica o músico.
 
Fã de filmes B e terror gore exibidos nas TVs norteamericanas entre os anos 1980 e 1990, Rieg retirou destas fitas a ideia para as músicas e os vídeos que são exibidos em um telão por trás da banda nos shows, e que fazem parte do álbum. “Passava muita coisa bizarra na televisão e a gente criança assistia aquilo. Era muito louco”, comenta.
 
O baixista da banda fala também sobre a montagem musical do disco. “O vídeo e o áudio são todos parte de um mundo maior. Usamos recortes sonoros, coisas feitas em computadores, exploramos também este lado do sintetizador, dos samplers e isso supre muita coisa que a gente quer colocar na música para termos mais peso. É um processo que deixa a música mais complexa sonoramente e ao mesmo tempo mais simples de executar com apenas três pessoas”, completa Daniel Jesi.

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