Fifa estuda usar recurso de imagem para árbitros na Copa do Mundo-18

Esporte 07/02/2017 às 07:36


 O replay pode ser usado na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, para auxiliar a arbitragem em lances considerados de difícil interpretação. Em entrevista à Folha, Lukas Brud, secretário da International Football Association Board, entidade que regulamenta as regras do esporte, afirma que a Fifa está disposta a colocar a tecnologia à disposição dos árbitros no Mundial.

 
"Se todos os testes correrem bem, a Fifa não vai querer esperar. Se não usar e acontecer um erro grave e decisivo, a pressão vai ser grande. Se havia a tecnologia, por que não utilizou?", diz Brud.
 
Cerca de 300 partidas em 12 países terão o assistente de replay (chamado de VAR, video assistant referee, em inglês) na temporada 2017.
 
A assessoria do presidente da Fifa, Gianni Infantino. confirmou à Folha que, se a International Board considerar os testes satisfatórios, o recurso pode ser utilizado no torneio na Rússia.
 
Além dos atuais quatro juízes no gramado, no modelo com uso da tecnologia, outro fica em uma sala. Ele observa a partida pelas câmeras instaladas e analisa as imagens assim que elas acontecem. Por meio da comunicação eletrônica, avisa sobre lances irregulares não percebidos pelo árbitro principal.
 
Mudanças na arbitragem
 
"Em 2016, usamos a tecnologia em 22 partidas. É pouco. Por isso que queremos utilizar em 300 neste ano. Uma auditoria externa independente foi contratada para dizer o que funciona, o que não funciona. No começo do ano que vem, teremos uma posição definitiva para oferecer à Fifa se é possível ou não (utilizar na Copa). O que nos comunicaram é que se o sistema estiver funcionando 100%, será utilizado", completou o secretário.
 
O teste mais famoso feito até agora foi no Mundial de Clubes, em dezembro do ano passado. Houve polêmica.
 
Em um lance na semifinal, Cristiano Ronaldo marcou um gol pelo Real Madrid contra o América, do México, mas o árbitro paraguaio Enrique Cáceres o invalidou por impedimento.
 
A comunicação com o auxiliar que observava a partida pela televisão demorou mais de um minuto, até que o lance finalmente foi confirmado como legal.
 
Brud contesta que tenha acontecido um problema no uso da tecnologia. Ele afirma houve falha de comunicação.
 
"Foi uma combinação de situações. A imagem não apareceu completa para o auxiliar que via a partida pela TV. Ele conversou com um colega ao lado enquanto estava com o microfone ligado e confundiu o árbitro principal, que não entendeu o que acontecia e pediu esclarecimentos. Foi um problema já corrigido. Depois do Mundial de Clubes, ficamos mais convencidos ainda que o VAR tem de ser utilizado", afirma.
 
O caso, porém, não foi o único em que o recurso foi questionado por jogadores e técnicos no Mundial.
 
TREINAMENTO
 
A International Board admite que o novo sistema não resolverá todos os equívocos da arbitragem. A entidade espera, porém, que, com o replay, os considerados mais casos importantes, aqueles com potencial decidirem um Mundial, serão resolvidos.
 
Uma das maiores preocupações é o processo de seleção e treinamento dos árbitros que ficarão responsáveis pela análise de vídeo.
 
"É algo que precisa ser feito com cuidado porque a característica que faz um árbitro de campo ser bom não é a mesma que faz um árbitro de VAR ser bom. São coisas distintas. O treinamento deve acontecer com atenção. A Fifa tem pressa e nós também. Hoje em dia, em um estádio de futebol, todos têm a informação do que aconteceu em campo, menos o árbitro. As pessoas têm acesso aos vídeos dos lances pela internet e o juiz não. Precisamos mudar isso", conclui o secretário.
 
A International Board foi fundada em 1886 para unificar as regras do futebol e qualquer mudança no esporte tem de ser aprovada pela entidade, conhecida pelo conservadorismo.
 
A entidade é composta pelas federações da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte (cada uma delas com um representante) e a Fifa, que tem direito a quatro votos. Para que alguma mudança regra do futebol seja aprovada, ela deve contar com o apoio de pelo menos 75% dos oito votos.
 
"A International Board era conservadora porque havia a necessidade de preservar a simplicidade do futebol. Isso está mudando. Nós não queremos forçar a Fifa a usar a tecnologia. Mas podemos dizer: 'ela está aqui, pronta. Se quiserem usar, que usem'", finaliza Brud.

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