Bloco resgata cultura indígena e do Santo Daime com sons e danças em Carnaval

Cultura 25/02/2017 às 23:30


 O bloco Rede Banzeiro, que reúne vários artistas acreanos, levou para a segunda noite de Carnaval neste sábado (25), no Mercado Velho, no Centro de Rio Branco, a proposta de resgatar a cultura indígena e do Santo Daime por meio de uma mistura de sons e danças. O músico Clenilson Batista, de 60 anos, conta que a ideia é dar ao Carnaval acreano uma nova roupagem.

"A ideia é dar uma nova estética ao Carnaval, que tem seus fundamentos, sua literatura, além de ser o resgate das culturas e dos grupos folclóricos. O movimento quer dar a nossa cara, do nativo florestal para o Carnaval e tirar essa cara européia. A ideia é inserir a cultura acreana no Carnaval e o grande lance é essa proposta sonora, que tem um pouco de indígenas e Santo Daime. É uma mistura mesmo da cultura", conta Batista.

Uma das organizadoras do bloco, Kelen Mendes contou que o grupo existe há cinco anos e esse ano a novidade é a apresentação da dança da Vassourinha e uma homenagem também ao artista Hélio Melo. Segundo ela, ao menos 60 pessoas participam do bloco, entre músicos e brincantes.
 
"O grupo surgiu no momento que estávamos precisando impulsionar alguns trabalhos. Então, fizemos um recorte juntando alguns grupos e procuramos fazer uma amostra da nossa cultura. Temos cinco anos com o Banzeiro de cultura regional e somos isso: um coletivo que reúne vários grupos de cultura regional. É para todo mundo, para a família brincar", afirma Kelen.
 
O seringueiro Aldenor da Costa, de 75 anos, é de Cruzeiro do Sul e conta que é brincante desde que era criança. Segundo ele, conhece muitas brincadeiras, como a “marujada” e as “vassourinhas”. "Aprendi a dançar e brincar quando ainda era pequeno, só de olhar outras pessoas fazerem. Hoje me divirto mostrando o que sei aos outros", diz.
 
Bloco faz homenagem ao Maracatu
Um dos blocos a se apresentarem nesta segunda noite de Carnaval no Mercado Velho foi o Maracatu, Nação Pé Rachado. O bloco, criado há um mês, possui cerca de 20 integrantes. Uma das organizadoras do grupo, Vanessa França conta que a ideia era difundir a cultura do Maracatu, ritmo bastante conhecido no nordeste, no estado do Acre.
 
"O Maracatu veio da África, com os negros. Eles fingiam que estavam homenageando os nobres, vestiam-se de nobres, porém, estavam homenageando os reis da África. O Maracatu surgiu no Candomblé e todos os instrumentos que utilizamos na apresentação vieram também do Candomblé. O que fizemos aqui foi pedir permissão aos Orixás para que pudéssemos nos apresentar e que tudo ocorresse em paz neste Carnaval", conta Vanessa.
 
Primeiro ano de Carnaval no Mercado Velho
A novidade do Carnaval esse ano é a festa no Mercado Velho, no Centro da capital acreana. Segundo a prefeitura, a ideia é que no espaço tenham apresentações regionais e que seja um espaço para as famílias brincarem o Carnaval. O diretor presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Sérgio de Carvalho, afirmou que a festa atraiu neste sábado (25), ao menos 300 foliões.
 
"Aqui a gente buscou que fosse um palco de Carnaval mais tradicional, que é um Carnaval de marchinhas, das brincadeiras muito tradicionais do Acre, como a vassourinha, também a marujada, que é super tradicional e estava perdendo o seu espaço. Choveu um pouquinho, atrapalhou o cortejo, mas de qualquer maneira o pessoal já está aqui", afirma.
 
A servidora pública, Elisângela Fadul, 44 anos, fez questão de participar da segunda noite de folia e diz que a chuva não atrapalhou. "É muito interessante os blocos se apresentarem em locais públicos e nos bairros. Antigamente nós trazíamos as crianças, mas agora elas estão grandes. Achei uma ótima ideia o Carnaval ocorrer também no Mercado, aqui é menor e até melhor do que na Gameleira, não dá muita gente e eu acho mais aconchegante”, afirma.
 
Com os dois filhos, de oito e um ano e nove meses, a estudante Mariana Farias aprovou o Carnaval no Mercado Velho. "Acho ótimo, porque aqui é um espaço que tem um rio para a gente ficar olhando. As crianças ficam mais à vontade, podem correr, brincar e a gente não fica tão preocupada. É com certeza um espaço mais família. A chuva não atrapalhou. Gosto muito de Carnaval e os dois são carnavalescos também, desde pequenininhos, dentro da barriga”, conta.

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