Em família de trezeanos, garoto com Down vira xodó da torcida da Raposa

Esporte 28/02/2017 às 16:43


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 Um menino comemora ao ouvir a narração do gol do seu time do coração. Ele não se contém e coloca as mãos nos olhos e as lágrimas chegam. A cena publicada no perfil oficial do Campinense é de João Guilherme, de 16 anos, que é portador de Síndrome de Down. Desde então, o garoto virou o mascote do elenco e participou até da preleção do técnico Sérgio China no jogo contra o Paraíba de Cajazeiras, no Campeonato Paraibano. Mas o que ninguém sabe é que ele é um dos poucos raposeiros da sua família, composta basicamente de trezeanos.  

Quem apresentou o Campinense a João Guilherme foi o cunhado, Belmiro Júnior. Eles iam juntos assistir à Raposa jogar e daí nasceu o amor. Estar na arquibancada, torcer e gritar quando o seu time faz um gol tem também um papel importante para a inclusão de João Guilherme na sociedade. 

É na arquibancada que ele é acolhido pelos raposeiros e passa a ser mais um da massa rubro-negra. A exclusão, a qual ele poderia sofrer por causa da Síndrome de Down, não faz nenhum sentido ali, quando ele está no meio da torcida da Raposa, cantando os hinos torcendo pelo seu time. 
 
Minha mãe é trezeana, minhas tias também, toda a família, mas eu sou raposeiro". 
João Guilherme, torcedor do Campinense 
- Eu sou torcedor do Campinense. Meu cunhado ficava me chamando para torcer para o Campinense e eu gostei.  Minha mãe é trezeana, minhas tias também, toda a família, mas eu sou raposeiro. Eu gosto de ficar na torcida. A Raposa tem uma torcida grande e animada. O Campinense representa muito para mim - afirmou João Guilherme. 
 
Ele ganhou destaque na última semana, quando um vídeo seu viralizou nas redes sociais. Na cena, o garoto se emocionava com a narração dos dois gols da vitória do Campinense sobre o Náutico, pela terceira rodada da  Copa do Nordeste. 
Logo após o vídeo viral, João recebeu um convite para participar da preleção dos atletas e da comissão técnica antes do jogo contra Paraíba de Cajazeiras, pela oitava rodada do Campeonato Paraibano. E, ao que parece, o torcedor conseguiu convencer todo o elenco da Raposa que eles representam muito mais do que apenas um jogo. Quando o árbitro soou o apito final, o Campinense vencia o Paraíba por 3 a 0.  
 
João Guilherme é tão apaixonado pela Raposa que sabe por nomes em todos os jogadores do elenco. E no plantel de Sérgio China, o garoto tem seus prediletos. Para ele, o goleiro Glédson é o melhor do mundo. Ele gosta também muito do meia Renatinho, que foi autor de um dos gols que emocionou João, contra o Náutico. Mas o seu favorito é o recém chegado  Léo Ceará.  
 
Belmiro Júnior, o responsável por despertar em João a paixão pelo Campinense, contou que os convites para acompanhar as partidas foram surgindo após os rachas entre amigos nos domingos. João relutou um pouco em ir assistir à Raposa, ainda sobre a influência da família que é majoritariamente trezeana, mas não demorou muito para se entregar ao sentimento pelo rubro-negro. Agora, segundo o cunhado, o aprendiz superou o mestre e João conhece mais do elenco da Raposa do que ele.  
 
- Eu sempre chamava João para ver a Raposa Feroz. Ele foi tomando gosto e assim chegou um dia que ele de espontânea vontade contou que era raposeiro, sem precisar ninguém pedir. Hoje ele conhece o elenco completo, sabe tudo sobre os últimos jogos e o dia a dia do Campinense. Já eu sei muito pouco atualmente. Eu já vi ele se emocionar várias vezes quando fala da Raposa. Se ele está longe da mãe, ele vai para perto dela para tentar ir ao jogo - disse. 
 
O amor se manifesta de diversas maneiras e, na casa de João Guilherme, não poderia ser diferente. A mãe, Maria Bethânia, torcedora do Galo da Borborema, sempre aceita o convite do filho para acompanhá-lo nos jogos do arquirrival, o Campinense. Maria não hesita e nem pensa duas vezes quando o assunto é proporcionar ao seu filho a felicidade, que, para ele, é estar em campo acompanhando a Raposa. 
 
Mãe de um adolescente com Síndrome de Down, Maria Bethânia tenta ser exemplo para outras mães que também têm em seu lar um portador da síndrome. Maria diz que deseja que todas as mães evitem esconder seu filhos em casa e que proporcionem momentos de alegrias. 
 
- Mesmo sendo trezeana, faço um esforço para levá-lo ao estádio. O que uma mãe não faz pelo filho? Eu acompanho João em todos os jogos do Campinense e, se for o caso, se o Campinense estiver ganhando, vou torcer para eles por conta do meu filho. Quando esse filho é especial, há um sentimento bem diferenciado. Pelo fato da vida dele ser tão limitada para a sociedade, eu não posso limitar o meu filho, eu tenho que fazer com que ele sinta essas emoções e eu vou junto com ele - finalizou  emocionada.
 

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