Tradição familiar e amor pela cultura mantêm vivos o caboclinho e o maracatu

Cultura 01/03/2017 às 20:55


 Casa da Rabeca, em Olinda, realiza encontro das agremiações. Cerca de 40 grupos passam pelo espaço na segunda-feira de carnaval.

Ao todo, 40 maracatus de baque solto, seis caboclinhos e um bloco de caravana passarão pelo 13º Carnaval Mesclado da Casa da Rabeca, em Olinda, nesta segunda-feira (27). Cores vibrantes, versos e chão de terra batida mantêm a tradição da cultura nordestina, que passa de pai para filho. O polo marca a resistência de uma arte que luta para abrilhantar ainda mais o carnaval pernambucano.

Filho de mestre e caboclo de lança do Caboclinho dos Coités, aos 29 anos, Josué da Silva ensina a arte para o filho de 6 anos, Luiz. Para ele, o futuro da cultura está nos pequenos. "Tenho três filhos no caboclinho. Eu sou pedreiro, mas me realizo mesmo no carnaval. Ensino isso para os meus filhos. Eles são a garantia de que essa cultura não vai acabar". Ornamentados, eles viajam três horas, de Tracunhaém para Olinda, para uma apresentação de 20 minutos. "É importante vir. Temos que vir para sermos lembrados", completa.
 
Eduardo de Santo é conhecido como Mano. O mestre dos caboclos de lança do Maracatu Leão das Cordilheiras, de Araçoiba, é responsável por fazer todos os trajes usados pelos companheiros. Agricultor, diz que é preciso muita paixão pelo que faz para manter viva essa tradição. "Somos cortadores de cana, ganhamos pouco, nossa vida é difícil, mas tiramos alegria no amor pelo que fazemos. Essa cultura está acabando, mas, se depender de mim, não vou deixar ela acabar. É nosso orgulho", desabafa.
 
O amor é tanto pela arte que para mestre Dino, do Maracatu Leão das Cordilheiras, o carnaval não tem graça se não tiver o maracatu. "Não tem explicação. O carnaval só começa para mim quando eu me apresento. É uma alegria imensa".
 
Mesclando frevo com batida de maracatu de baque solto, o Bloco Caravana Andaluza, de Tracunhaém, é o único no estado, segundo eles, a apresentar esse tipo de arte. "Veio do meu avô, Francisco de Souza. Quando ele se foi, reunimos filhos e netos para não deixar nossa tradição morrer com ele", conta Valdilene Souza. No bloco, passistas de frevo se apresentam ao lado de crianças vestidas de caboclo de lança. "Ao todo, somos 63 integrantes. Somos essa mistura das tradições do nosso estado", completa.
 

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