Brejo Paraibano é um passeio pela cultura nordestina regado a cachaça

Cultura 16/03/2017 às 17:45


 Cabem quase cinco Paraíbas dentro do Estado de São Paulo. E o que já é pequeno se divide em muitas partes. O Estado nordestino está fatiado em 23 regiões, das quais o Brejo Paraibano é uma das mais interessantes.

 
Brejo, neste caso, não diz respeito a áreas pantanosas. O nome da região vem de "brejos de altitude", como são conhecidas as áreas altas do Nordeste onde prevalece um clima mais úmido. Não são só as condições atmosféricas que distinguem o Brejo Paraibano. Ali, de modo muito particular, combinam­se casario colonial bem preservado, teatros históricos, bons alambiques e memoriais que lembram artistas e filhos ilustres da terra.
 
Por isso, numa viagem à Paraíba, vale a pena dedicar dois dias à região, que tem Areia como sua melhor representante. Situada no topo da serra da Borborema, a cidade de 20 mil habitantes fica a pouco mais de uma hora da capital, João Pessoa.
O lugar é um dos núcleos urbanos que se desenvolveram como ponto de passagem para os tropeiros que iam do sertão para o litoral da Paraíba, entre os séculos 18 e 20.
 
É desse passado, aliás, que vêm alguns dos principais atrativos da cidade: o conjunto histórico e urbanístico, formado por mais de 400 imóveis, tombado em 2006. Em uma pequena casa que integra esse núcleo colonial, fica o museu dedicado a Pedro Américo, célebre pintor brasileiro do século 19.
 
Criador de obras como "Grito do Ipiranga", que pertence ao acervo do museu do Ipiranga, em São Paulo, ele nasceu em 1843 nessa casa de Areia, onde passou boa parte parte de sua infância. Há só um quadro original em exibição, "Cristo Morto", pintado em 1901. As demais telas são réplicas. O mais surpreendente, no entanto, são as caricaturas que têm a família como tema. Mostram verve pouco conhecida do
artista, associado a grandes episódios históricos.
 
A dez minutos está o teatro Minerva, o mais antigo da Paraíba, fundado em 1859. Com três níveis, a plateia apresenta razoável estado de preservação, mas o palco não –parte do tablado cedeu. O fato é que esse miolo histórico revela mais seu charme em passeios a pé que em visitas a locais específicos, principalmente por causa do casario antigo, um dos mais preservados do Nordeste.
 
Nem tudo, no entanto, pode ser visitado após breves caminhadas. Na zona rural de Areia, a menos de dez minutos de carro, fica a Casa do Doce, com mais de 70 tipos.
Perto de lá, está o Engenho Triunfo, onde dá para acompanhar o processo de destilação e degustar as cachaças (é recomendável ligar para confirmar os
horários; o telefone é 83/99931­9861). Só em Areia existem 28 engenhos em atividade. Aliás, quando o assunto é produção de cachaça, a região do Brejo Paraibano é uma das referências no Nordeste.
 
JACKSON DO PANDEIRO
Em Alagoa Grande, a 18 km de Areia, está outro engenho aberto à visitação. É Lagoa Verde (tel. 83/99982­0407), onde se produz a Volúpia, cachaça premiada. Mas há mais para conhecer por ali. Alagoa Grande é a cidade onde nasceu Jackson do Pandeiro, em 1919. O "rei do ritmo" se tornou famoso com músicas como "Chiclete com Banana".
 
No museu a ele dedicado, estão expostas roupas que usou em shows, cadernos com composições, entre outros itens. Os restos mortais de Jackson, que estavam no Rio, foram transferidos para o espaço em 2009 –o cantor morreu em 1982. Também em Alagoa, a cinco minutos do museu, fica o teatro Santa Ignez, aberto em 1905 e mais bem preservado que o Minerva, em Areia. O Brejo Paraibano é, em suma, uma passeio pelo passado da cultura nordestina. Regado a cachaça, claro.
 
Fonte: Folha de São Paulo
 

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