Hoje na Paraíba é comemorado o Dia Estadual da Cultura Afro-Brasileira

Cultura 17/03/2017 às 14:06


 Hoje, no Dia Estadual da Cultura Afro-Brasileira, data criada para dar visibilidade às manifestações culturais de descendência africana, é fácil encontrar manifestações culturais brasileiras que sofreram algum tipo de influência da cultura africana. A religião é uma delas, apesar do tempo, permanece viva, dando lugar e voz a jovens que se encontraram na crença de seus ancestrais.

Foi na busca por elementos que compõem a construção da sua identidade e fortalecer o seu lugar no mundo que Priscila Estevão, aos 18 anos à época, decidiu visitar e conhecer uma religião de matriz africana: o candomblé. No primeiro momento, com uma motivação política, ela começou a frequentar e conhecer mais da cultura africana, passando então a direcionar a sua vivência na espiritualidade do Candomblé.
 
Atualmente, aos 27 anos, a jovem relações públicas foi escolhida pelo orixá da casa para ser ekedi. A ekedi é um cargo feminino importante no candomblé, ela tem o papel de cuidar do orixá e recebê-lo “Quando o orixá vem na terra o meu papel é dançar com ele, cuidar dele, e também organizar tudo antes da festa. Cuidar da comida, dos fundamentos, das coisas do orixá e da roupa que vai vestir. Tudo o que está relacionado ao orixá passa pela mão da ekadi”, explica Priscila.
 
Apesar de jovem, ela vive o desafio de ter disciplina, maturidade e respeito que a religião exige. E foi por amor ao seu orixá que a jovem segue todas as doutrinas, tendo que abdicar de algumas coisas de sua vida pessoal para viver essa espiritualidade por completo. “É uma religião séria que necessita de disciplina como, por exemplo, abdicar de beber, namorar, tendo que cumprir os preceitos. Mas isso varia de casos e tradições”.
 
Priscila relata que não conseguia se encaixar e se encontrar em outras religiões, foi buscando a sua identidade enquanto mulher negra que ela passou a se perceber no Candomblé.
 
“A escolha do candomblé foi por ser uma religião de pretos e pretas. Por ser uma religião marginalizada e por conseguir eu me encontrar nela, diferente das outras religiões. Mas também não quero desmerecer nenhuma religião, cada um escolhe o que for melhor para você”.
 

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