Contra a Juventus, Neymar busca brilho para ser melhor do mundo

Esporte 11/04/2017 às 14:20


 Garoto em Santos, Neymar jogava PlayStation e se escalava no Barcelona, ao lado de Lionel Messi. O sonho de atuar com o ídolo andava de mãos dadas com a profecia de que o brasileiro um dia seria o melhor do mundo.

 
A primeira parte foi conseguida em 2013, quando chegou à Espanha. Para ser escolhido pela Fifa, Neymar precisa se desprender da sombra de Messi. De preferência, em jogos como o desta terça (11), contra a Juventus (ITA), pelas quartas de final da Liga dos Campeões.
 
"Ele [Neymar] já me disse várias vezes que sou seu ídolo. Fico sem jeito com isso. Somos amigos", afirmou Messi, sobre o relacionamento no vestiário do Camp Nou.
 
Neymar precisa de mais partidas como a da virada nas oitavas de final, diante do Paris Saint-Germain (FRA). Na goleada por 6 a 1, ele fez dois e deu o passe para o gol decisivo nos acréscimos. Com a classificação em risco, assumiu a responsabilidade de cobrar faltas e pênaltis. Papéis que são de Messi.
 
"Neymar é melhor que Messi. Messi não é uma liderança", afirmou Carlos Dibos, ex-preparador físico da seleção argentina, após a vitória.
 
O brasileiro já fez todas as homenagens possíveis ao companheiro. Postou mensagens em redes sociais, disse à imprensa que Messi é o melhor do mundo todos os anos, e que ele é de outro planeta.
 
Desde 2007, quando Kaká foi eleito, o prêmio se transformou um clube exclusivo de Messi e Cristiano Ronaldo. Lionel venceu cinco vezes (2009, 2010, 2011, 2012 e 2015). O português, quatro (2008, 2013, 2014 e 2016).
 
Neymar está no grupo candidato a acabar com esse duopólio, ao lado de Antoine Griezmann (Atlético de Madrid-ESP), Robert Lewandowski (Bayern de Munique-ALE) e Luis Suárez (Barcelona-ESP).
 
Para isso, é necessário conquistar títulos como astro da companhia. Função que tem sido de Lionel Messi desde 2008. Pelo menos no número de gols, a discrepância é grande. Na temporada 2016-2017, o argentino fez 43 gols. Neymar anotou 15.
 
DIFERENCIAL
 
O título da Liga dos Campeões costuma ser preponderante na votação da Fifa. Nos últimos dez anos, sete vezes o melhor do mundo saiu do elenco campeão europeu.
 
Pelos planos do Barcelona, traçados no momento da contratação de Neymar em 2013, 2017 seria o ano em que Messi, 29, começaria a curva descendente na carreira. O brasileiro estaria pronto para sucedê-lo como referência da equipe em campo.
 
Os dirigentes não contavam com o processo do fisco espanhol contra o brasileiro. Algo que tira o sono dos cartolas catalães. Ao mesmo tempo, Messi não dá sinais de desaceleração na carreira.
 
Antes de serem colegas, os dois já interagiam. Na época no Barcelona, Daniel Alves intermediou para os dois jogarem videogame, online, um contra o outro, quando Neymar ainda era jogador do Santos. Assim ambos começariam a se conhecer melhor.
 
Desde a chegada do atacante brasileiro, em 2013, o Barcelona conquistou uma Liga dos Campeões. Em 2015, derrotou a Juventus, adversária desta terça, na final. Meses depois, o camisa 10 foi eleito melhor do planeta. Foi este o único ano em que Neymar conseguiu ser finalista. Terminou em terceiro, atrás de Cristiano Ronaldo.
 
Vitória e grande atuação serviriam para Neymar fazer a torcida esquecer a derrota para o Málaga, no sábado (8). Ele foi expulso e, pelos gestos contra o árbitro, pode ser suspenso por três partidas. Se isso acontecer, ficará fora do clássico contra o Real Madrid, pelo Espanhol, dia 23.
 
Para os dirigentes do Santos, a imagem que ficou da admiração de Neymar por Messi foi a final do Mundial de Clubes, entre as duas equipes, em dezembro de 2011.
 
Com os 22 jogadores alinhados para entrar em campo, os dois atacantes estavam lado a lado no túnel. Ciente disso, Messi trocou de lugar. Ficou mais à frente. Era um golpe psicológico.
 
Neymar, já vendido para o clube catalão, não tirava os olhos do então rival. Um cartola do Santos, ao ver a cena, concluiu: "Perdemos o jogo." O Barcelona venceu por 4 a 0.

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