Rompimento à vista: relação entre Ricardo e Gervásio azedou de vez

Política 18/04/2017 às 14:34


 Fontes palacianas têm revelado, sem muito alarde, que a lua de mel entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia, ambos do PSB, chegou ao fim. Dificuldades na relação institucional e pesquisas internas teriam servido de munição para o estremecimento da relação, a ponto de o parlamentar ter sido riscado em definitivo das opções eleitorais para a sucessão ao governo do Estado. Gervásio trabalhava para ser candidato, mas foi perdendo força com seus aliados no Legislativo e no Palácio da Redenção.

O abandono do nome de Maia foi a confluência de vários episódios. Um deles e que repercutiu negativamente em público foi a vaia recebida pelo parlamentar durante discurso na Inauguração Popular da Transposição, em Monteiro, no mês passado. Ao pegar no microfone, em frente a Ricardo e aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, Maia recebeu uma sonora vaia. As críticas ao parlamentar vieram tanto de petistas quando de socialistas, que ainda o identificam como liderança afinada com o PMDB, seu antigo partido. A receptividade desapontou o parlamentar.
 
Episódio recente, narrado por fontes ligadas ao governador, revelam desentendimento dele com o presidente da Assembleia Legislativa. Em uma das conversas entre os dois, teria havido até troca de insultos. Há quem negue e quem confirme entre os auxiliares de Ricardo. Contou para o sepultamento das pretensões eleitorais de Gervásio Maia, também, uma pesquisa qualitativa encomendada pelo PSB. Ela revelou que caso Maia fosse o candidato ao governo, a chance de derrota seria muito grande. A alegação principal é a de que ele não conseguiria atrair o eleitor simpático ao governador. Outro problema teria sido as dificuldades de Ricardo influenciar no Legislativo, o que teria sido rejeitado por Maia.
 
“A forma de enxergar a política dos dois é muito diferente e isso provocou o distanciamento”, disse em reserva um socialista ouvido pelo blog. “Gervásio é visto com desconfiança, porque há o entendimento de que ele não honraria compromissos assumidos”, assegura outra fonte ouvida. Recentemente, também, ficou evidente o distanciamento de Gervásio em relação a deputados governistas. Ele quase trocou tapas com o ex-presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB), que, momentos antes, havia ocupado a tribuna da Casa para criticar o colega de partido.
 
O resultado do descolamento é que Maia comunicou ao partido que não seria mais candidato ao governo e começou o trabalho para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, no ano que vem. Os socialistas, agora, trabalham para consolidar outro nome para a disputa. A deputada estadual Estela Bezerra é uma opção natural, mas muitos citam João Azevedo. A maior possibilidade, no entanto, é apostar em Lígia Feliciano (PDT), que vai assumir o governo em abril do próximo ano com o afastamento de Ricardo Coutinho para a disputa de uma vaga no Senado.
 
A lógica observada é que, com a caneta na mão, não seria exatamente uma postura sábia comprar briga com Lígia Feliciano…

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