Jessier Quirino mostra suas observações da 'essência matuta' em espetáculo

Cultura 13/05/2017 às 21:53


 O imaginário do Sertão e do povo que o habita é seminal no imaginário brasileiro. Decifrar a essência da região marcada pelas privações climáticas, mas berço de uma cultura rica tem sido uma preocupação de muitos estudiosos e artistas. É o caso de Jessier Quirino. O paraibano de Campina Grande fez do universo matuto seu campo de investigação e oásis artístico explícito em seu novo espetáculo Xerém com Graxa, que ele apresenta sábado e domingo (13 e 14), no Teatro RioMar.

Apesar de alguns resquícios, o Sertão de 2017, obviamente, não é o mesmo de Euclides da Cunha, Rachel de Queiroz ou Guimarães Rosa. A aproximação com os bens de consumo e costumes antes restritos aos grandes centros urbanos diluíram
algumas barreiras (positiva e negativamente) e transformaram a região. Jessier
Quirino, como bom observador, acompanha de perto esse fenômeno, mas acredita que ele não compromete a “essência matuta”.
 
“O que minha poesia mostra é que ser matuto é um estado de espírito. Não precisa estar socado nas brenhas para tê-lo, pois existem pessoas que nasceram na capital e só pelas origens interioranas, as tradições passadas por pais e avós, têm anidade
com essa essência. Assim como há matutos que negam suas raízes e têm vergonha do interior”, pontua o poeta.
 
"RECITAL SOLO"
Em seu novo show, que ele classica como “recital solo”, por estar sozinho no palco, aborda essas questões através da poesia, causos e músicas.
 
“O que faço é mostrar para diferentes gerações a riqueza do
barro do qual somos feitos. Muita coisa mudou, mas permanece
um certo mistério relacionado ao sertão, que fascina as pessoas
há séculos. Ressalto essa astúcia do matuto para abordar temas
como as questões climáticas, a relação do interior com a capital,
do passado com o presente; de uma interior que não existe mais”, explica.
Antenado, Jessier não vê deméritos na internet. Percebe as
possibilidades de conexão que a web permite e a utiliza com
frequência, seja através de seu site ocial
e redes sociais, como
o Instagram, que adora.
Dialogando também com outras linguagens, ele convidou o
artista plástico Shico Leite, natural de Patos (PB) e ligado à arte
urbana, para criar o cenário do espetáculo: uma tela de cinco metros de altura por 16 de comprimento com vários
personagens do universo sertanejo.
“Ele é ligado à arte de contestação e tem um traço muito
singular. É sertanejo e entendia o que eu queria dizer, então há
um diálogo entre o que falo e o que está na obra dele, reetido
diretamente no show”, conclui.
 

 

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