Cássio visita Aécio e diz que PSDB não definiu posição após delação da JBS

Política 19/05/2017 às 19:53


 O senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB), vice-presidente do Senado, visitou nesta sexta-feira (19), o afastado Aécio Neves (PSDB-MG), é alvo da Operação Patmos, autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro aconteceu na residência de Aécio, localizada em área nobre de Brasília.

Em entrevista a Isto É, Cássio contou que o colega de partido está “exclusivamente focado na sua defesa”. “O senador está cuidando da sua defesa, que ele tem total direito de fazer e é preciso fazer de forma ampla, para que a investigação tenha curso e possamos ter essa manifestação do contraditório, fruto do inquérito que está sendo aberto para que ele possa exercer seu direito constitucional de defesa, disse.
 
O senador da Paraíba afirmou que os advogados de Aécio e do próprio Senado vão analisar a decisão do ministro Fachin, que afastou na quinta-feira, 18, o mineiro da função parlamentar. “Essa é uma decisão que não está prevista na Constituição, mas que tem sido adotada em outros momentos.
 
Essa questão tem sido nova na jurisprudência, uma vez que não está, no meu parco conhecimento, prevista na Constituição”, afirmou Cunha Lima.
Questionado sobre a possibilidade do PSDB retirar o apoio ao governo Michel Temer diante dos recentes fatos revelados com a delação dos executivos da JBS, Cunha Lima disse que a questão ainda está sendo discutida dentro do partido.
 
“Ontem (quinta), conversamos com alguns segmentos. O partido tem várias instâncias de deliberação, não apenas a bancada no Senado, nem da Câmara. É o momento em que precisamos ter o integral conhecimento das gravações que foram feitas para que possamos avaliar esse processo. O PSDB sempre teve muita, extrema responsabilidade com o País e será sempre pensando no Brasil, naquilo que possa trazer estabilidade, que possa nos garantir a saída para essa crise para milhões de brasileiros, será a conduta que o partido terá”, afirmou.
 
O senador acredita que esse momento de instabilidade política pelo qual o País passa deve sim interferir na tramitação das reformas, mesmo que de forma momentânea.
 
O vice-presidente do Senado defendeu que o País tenha a “verdade completa” dos fatos. “É importante que nós tenhamos a capacidade de pensar sobre tudo no Brasil. Neste momento, não está em jogo a autoridade A ou B. O que nós devemos nos preocupar é com o País que não pode ter sua crise aprofundada, que já é a mais grave crise de sua história”, afirmou.
 
Cunha Lima defendeu o curso das investigações e disse que os responsáveis devem responder por seus erros, mas os que não têm culpa devem ser absolvidos. O importante, segundo ele, é o Brasil funcionar. “Era o momento em que a economia começava a dar sinais de recuperação. Isso é importante para o País inteiro, é muito significativo que tenhamos a capacidade de, olhando para o País, fazer que a economia volte a funcionar e o País saia dessa crise, que é a mais grave da sua história”, enfatizou.

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