Deficiente visual, filha de Roger ganha surpresa e sente gol do pai

Esporte 23/06/2017 às 21:23


 Bincalhona, inteligente e, principalmente, feliz. Assim podemos definir a vida de Giulia, filha do atacante Roger, do Botafogo. Mesmo sem enxergar desde que nasceu há 11 anos, "Tatá", como é carinhosamente chamada pela família, sempre acompanhou a carreira do pai e os gols narrados na televisão através das sensações. Agora, um deles ficará marcado para sempre em sua vida.

Giulia ganhou uma surpresa no mês do aniversário. Responsável pela narração do golaço de Roger (confira, abaixo), contra o Sport, pela Copa do Brasil, o jornalista Luis Roberto, da TV Globo, visitou a casa do atacante e levou um quadro em alto relevo com três momentos da jogada para que ela pudesse sentir o feito do pai. Roger, então, foi explicando o lance, enquanto a filha acompanhava tudo com as mãos e se entusiasmava a cada detalhe narrado.
 
- Estou muito feliz de poder sentir um gol do meu pai. Sempre acompanho os jogos e comemoro os gols pela televisão, mesmo sem saber como eles são feitos. Vocês conseguem entender o que fizeram? Gente, eu nunca tive essa noção... Eu queria ter essa noção algum dia e vocês conseguiram trazer. Pai, o gol foi lindo! Foi, não foi? Agora, eu consegui - vibrou.
 
Gol do Botafogo! João Paulo lança e Roger dribla marcador e marca aos 11 do 1º tempo
 
Tratamento na China
A deficiência visual começou a ser percebida quando ela tinha apenas três meses. Depois de alguns exames, foi constatada uma Displasia Septo-Óptica, que trata-se de um raro transtorno caracterizado por malformações da linha média do sistema nervoso central.
 
O diagnóstico dos médicos fez com que o atacante chegasse a apostar em um tratamento experimental desenvolvido na China. Inconformado com a situação de sua filha, Roger, que na época jogava no Vitória, seguiu os conselhos de um casal de amigos e mandou Giulia e sua mãe Elizabeth para fora do país em busca da tão sonhada cura. A experiência, no entanto, não deu o resultado esperado. Mas serviu para confortar a família.
 
- Giulia ficou em tratamente por 45 dias, mas não foi o que esperávamos. Começamos a entender que esse era o plano de Deus para a nova vida. Era ter a Giulia do jeito que Deus nos mandou. Fomos escolhidos para ter uma filha tão especial e querida. Realmente foi duro, mas hoje encaramos com tranquilidade. Eu tentei. O que eu quero é que ela saiba que eu e minha esposa tentamos o que tinha de melhor. As pessoas precisam tentar. O tratamento melhorou muito de um tempo para cá. Quero vê-la na paralimpíada. Faz natação muito bem. O esporte quebra barreiras, agrega, anima... Vivo sonhando por ela. A Giulia não tem limites.
 
Visivelmente emocionado, Luis Roberto falou da importância da narração e disse que é fundamental descrever o lance com detalhes. Segundo ele, é preciso passar tudo com o coração.
 
- O tom da narração é importante. É a soma de uma série de coisas. O futebol é muito paixão e você precisa falar com o coração. Esse gol era muito importante e valia a classificação na Copa do Brasil. A dimensão disso tudo você tem que passar. Tem que ser com o coração, ser apaixonado. E um pouco da descrição da situação. A televisão é um veículo de ruído. Às vezes... É um telefone que toca, é alguém que te chama em casa... Então o tom da narração é um chamativo para o cara voltar para a televisão. É o que procuramos passar.
 
Enquanto segue sonhando com a Paralimpíada, Giulia, que também já fez aulas de jiu-jitsu, alimenta outro grande objetivo: participar do The Voice Kids, programa musical da TV Globo. Roger aproveitou a presença de Luis Roberto, fez um marketing pela filha e brincou:
- Esse padrinho tem força, Giulia (risos).
 
Artilheiro do Botafogo na temporada e destaque do time na vitória por 3 a 1 diante do Vasco, na última quarta-feira, Roger vive um grande momento. Feliz, realizado pessoalmente e profissionalmente, o atacante sabe que, mais do que fazer um gol, ele estará sempre proporcionando alegria para sua fã número 1, que, de casa, torce como ninguém pelo seu sucesso.

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