O Brasil é o que é porque todos o fizemos assim, diz Crivella em artigo

Brasil 05/07/2017 às 14:44


 Em artigo publicado na terça-feira (4), na Folha de S. Paulo, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, destaca: "O ato extremo da hipocrisia é culpar os outros por pecados que todos temos. Por omissão ou ação, o Brasil é o que é porque todos o fizemos assim."

 
Crivella cita o artigo "Mortalha", publicado no mesmo jornal e escrito pela atriz e escritora Fernanda Torres, no qual ela "culpa a classe política, ou o andar de cima, pela enchente do Rio de Janeiro, pelo engarrafamento de trânsito ou pela ausência dele."
 
"Na sua fúria, chega a comparar os bilhões da corrupção investigados pela Lava Jato ao prefeito capaz de fugir de um acidente sem prestar socorro à vítima, como se tudo fosse a mesma coisa", diz Crivella.
 
O prefeito prossegue: "O temporal que caiu no Rio no dia 20 de junho foi o maior desse mês nos últimos 20 anos. Coincidiu, infelizmente, com a maré alta, o que dificultou em muito o escoamento."
 
"O alto nível de impermeabilização do solo urbano leva, inevitavelmente, a essas tragédias, cada vez mais comuns nas grandes cidades -São Paulo, nossa maior metrópole, no último verão sofreu muito mais do que nós", diz.
 
Ainda segundo o prefeito, "há o excesso de lixo jogado nas ruas por pedestres desavisados, além das folhas, enormes, caídas de nossas centenárias amendoeiras."
 
"A colisão automobilística a que a autora se refere foi, na verdade, um mero esbarrão de pneus. A calota do veículo, para se ter uma ideia, nem chegou a cair. De tão irrelevante, só tomei conhecimento do caso quando, já tendo chegado ao destino, o motorista contou-me tudo", explica Crivella.
 
O prefeito prossegue: "Todos sabemos que a imprensa, na pressa do mundo digital, nem sempre apura com rigor ou recolhe provas. Onde estão a perícia, as fotos do acidente, o boletim de ocorrência, o laudo de corpo de delito? A tal vítima abandonada teria sido a calota?"
 
Crivella continua, afirmando que passou dez anos com a família nos países mais pobres da África, "em meio à hecatombe da Aids". Ele diz: "Quando voltei ao Brasil, construí no sertão da Bahia, com o investimento de R$ 20 milhões de meus direitos autorais, a Fazenda Nova Canaã. Lá, há quase 20 anos, centenas de crianças são educadas em horário escolar integral."
 
O prefeito acrescenta: "No Rio, também nunca fugi à luta. Enfrentei sozinho quatro eleições contra o poderoso PMDB, hoje mergulhado na sua pior crise."
 
"Política é enfrentar sem tréguas as vicissitudes quotidianas da nossa sociedade desigual e injusta. É contrariar interesses estabelecidos, suplantar as maquinações do ódio impenitente, suportar críticas, humilhações, injúrias, menosprezo, calúnias e, ainda assim, encontrar forças para cumprir um expediente de domingo a domingo, sob acusações cruéis dos que nos lançam cargas pesadas, sem que, no entanto, disponham-se a ajudar a resolver os problemas."
 
Crivella prossegue afirmando que aproveita o espaço para "esclarecer a opinião pública sobre histórias mal contadas publicadas nos últimos seis meses."
 
"Não moro no Palácio da Cidade e nunca tive a intenção de construir um muro de R$ 2 milhões para protegê-lo; não tenho câncer na próstata; meu filho não é formado em "psicologia cristã" -curso que, aliás, nem existe, de forma que não poderia receber R$ 10 mil da prefeitura, como disseram alguns boatos."
 
"Meu filho é formado em Oxford (Reino Unido), faz mestrado na Fundação Getulio Vargas FGV e hoje é consultor da ONU no Brasil."
 
"Também é importante dizer que nunca fiz culto no Palácio da Cidade e que a viagem oficial à Rússia foi "combinada com os russos"."
 
Crivella segue afirmando que a prefeitura não cortou a verba do Carnaval. "A crise impôs suspender o abono do ano passado para direcionar esses recursos às creches."
 
"Não nomeei sócio de minha filha e não acomodei evangélicos nas superintendências."
 
"Não abri mão de R$ 70 milhões do ISS para as empresas de ônibus. Foi no governo anterior que isso ocorreu. No meu, proibi o aumento da passagem."
 
"A prefeitura não vai financiar o filme sobre o bispo Edir Macedo."
 
"E, de uma vez por todas, não nego a minha fé, mas a prefeitura não tem religião."
 
"PS: A Igreja Universal completa 40 anos no dia 9 de julho. Parabéns!", finaliza.
 
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