Técnico nega problemas e conta com volta de Jacaré ao Brasil: "Sem rusgas"

Esporte 05/07/2017 às 14:51


 A derrota de Ronaldo Jacaré para o australiano Robert Whittaker por nocaute, em abril, afastou, pelo menos momentaneamente, o brasileiro da disputa do cinturão dos pesos-médios do UFC. Além disso, o manauara de 37 anos se lesionou e precisou passar por uma cirurgia logo após o combate. Preocupado e pensando em evoluir dentro das artes marciais mistas, o atual número 5 do ranking da categoria revelou recentemente que irá passar um período nos Estados Unidos para "respirar novos ares" e melhorando seu wrestling. 

Técnico principal de Ronaldo Jacaré, Josuel Distak concorda com o "estágio" do peso-médio nos Estados Unidos e, sem se aprofundar no assunto, acredita que o período fora será uma forma do lutador se manter em atividade, pouco tempo após a cirurgia. O treinador, no entanto, confia no retorno do pupilo ao Brasil.     
 
- O camp (para a luta contra Whittaker) foi feito normalmente, infelizmente não conseguimos a vitória, mas não tem rusga nenhuma. O Jacaré vai passar um tempo nos Estados Unidos, treinando wrestling, até porque ele não pode treinar MMA, já que ainda está se recuperando de lesão. O MMA é um esporte dinâmico, tem soco, chute, alerta o tempo inteiro e, lesionado e recentemente operado, qual o jogo que ele mais pode treinar? O wrestling. Ele vai se "internar" no wrestling e depois vai voltar pra cá e focar na próxima luta - afirmou Distak, com exclusividade, ao Combate.com.  
 
Com quase três décadas trabalhando com as artes marciais mistas, Josuel Distak é um ferrenho defensor do estilo brasileiro no esporte. Segundo o treinador, ainda não é possível determinar que a saída do Brasil para treinar resulte em uma melhora de desempenho do atleta dentro do octógono. O técnico, no entanto, é incisivo em um aspecto que considera essencial para qualquer lutador: manter o foco nos objetivos dentro da luta.  
 
- O treinador também pode fazer uma reciclagem lá fora. O lutador e o técnico devem estar o tempo todo na ativa, se atualizando, mas não é uma matemática. Não é exato. Tem brasileiro que vai lá pra fora treinar e passa a perder. Como é isso? Quero entender isso. E tem brasileiro, treinando no Brasil, vencendo tudo. Um exemplo é o Demian Maia, que vai disputar o cinturão. O próprio Jacaré, que estava com uma boa sequência, treina no Brasil. Então, em termos de resultado, dá no mesmo treinar lá fora ou por aqui mesmo. Acho que muito mais importante do que o local onde treina é o lutador sair da sua zona de conforto e ter sempre o pensamento que a "geladeira em casa está vazia" - disse o treinador, antes de completar.
 
Pelo que conquistei, me considero no patamar dos grandes treinadores do Brasil. Diria que estou no Top 10.
 
Josuel Distak
 - Geralmente, quando o brasileiro fica em uma condição boa, ele entra em uma zona de conforto. Quando a "geladeira está vazia", luta pra encher a geladeira. Mas, quando está cheia, para de lutar. Então, acho que o lutador brasileiro se permite entrar nessa perigosa zona de conforto. E eu tento passar pros meus atletas que eles não podem entrar nessa zona. Tem sempre que estar na cabeça que a "geladeira está vazia" e que a família precisa do trabalho. Esse é ponto chave: o lutador precisa superar as próprias expectativas e precisa acreditar que treinou forte, que está capacitado e que vai ser campeão.
 
Com a experiência de ter, ao longo da carreira, treinado grandes campeões do MMA, como Vitor Belfort e Ricardo Arona, Josuel Distak não compra o discurso de que o Brasil "ficou pra trás" no esporte. De acordo com o treinador, a fase não é boa dentro do UFC, já que o país conta apenas com uma campeã (Amanda Nunes, nos pesos-galos), porém não passa de um momento de transição entre as gerações. 
 
- O Brasil ainda está produzindo lutadores de alto nível. Isso é só uma fase ruim. Se for colocar na ponta do lápis, tenho certeza que o Brasil já produziu tantos campeões quanto os Estados Unidos, que tem muito mais investimento no esporte. Tivemos Royce Gracie, Murilo Bustamante, Anderson Silva, Wanderlei Silva, Vitor Belfort, Maurício Shogun, Lyoto Machida, então o que estamos vivendo agora é uma questão de estação. Daqui a pouco, muda tudo de novo e o Brasil fica novamente bem nesse cenário, com campeões e lutadores com muito talento e até mais vontade. É só um giro. Os americanos estão com os cinturões, mas a Irlanda também está com o cinturão, então faz parte essa maré baixa, é do jogo. Logo logo o Brasil dá a volta por cima - comentou o treinador da academia X-Gym. 
 
Por fim, Josuel Distak deixa a modéstia de lado e se coloca entre os melhores treinadores do Brasil na atualidade. Assumindo a posição de "personalidade do MMA" no país, o técnico enaltece os títulos que seus atletas conquistaram e o respeito alcançado ao longo dos anos.  
 
- No MMA hoje tem o Rafael Cordeiro, Dedé Pederneiras, Luiz Dórea, Jair Lourenço e eu. Somos conhecidos dentro do meio pelo nosso trabalho e pelos resultados. Eu, por exemplo, já conquistei 30 cinturões. Estava trabalhando com o Belfort quando ele foi campeão do UFC, com o Paulo Filho, quando foi campeão do WEC, com Rafael Feijão e Jacaré no Strikeforce, muitos outros. Então, por isso tudo, acho que já estou nesse patamar dos grandes treinadores. Diria que estou no "top 10" dos treinadores brasileiros de MMA - concluiu. 

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