Defesa de Lula diz que Moro usou processo para 'perseguição política'

Política 13/07/2017 às 10:14


 A defesa de Luiz Inácio Lula da Silva disse que o juiz Sergio Moro “desprezou as provas da inocência” e “usou o processo para fins de perseguição política” ao condenar o ex-presidente.

 
“A sentença de 962 parágrafos dedicou cinco parágrafos para a prova que a defesa fez sobre a inocência”, disse o advogado Cristiano Zanin Martins a jornalistas, na noite desta quarta (12), em um hotel na zona sul de São Paulo.
 
Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).
 
A sentença de Moro é a primeira contra o petista no âmbito da Lava Jato.
 
Zanin voltou a sustentar que não há provas de que Lula era proprietário do apartamento e que o imóvel jamais foi transferido a ele ou a seus familiares.
 
A defesa diz que a decisão de Moro se sustenta, principalmente, no depoimento de Léo Pinheiro, dono da empreiteira OAS e em negociação de acordo de colaboração premiada.
 
Desde o início do processo, os advogados têm afirmado que Moro é parcial e entrado com ações de impedimento contra o juiz, sem sucesso.
 
Com a sentença condenatória, dizem que estavam certos ao afirmar que Moro “claramente perdeu a sua imparcialidade há muito tempo”.
 
No entanto, ressaltam que com as ações não estavam perseguindo o juiz, mas “usando mecanismos previstos em lei para impugnar atos arbitrários”.
 
Segundo as contas da defesa, Moro dedicou 29 parágrafos só ao depoimento de Léo Pinheiro à Justiça para justificar a condenação, além de ter usado teoria jurídica defendida pelo procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal.
 
Na sentença, Moro diz que havia motivos para justificar a prisão preventiva do ex-presidente, como alegações de que ele tentou destruir provas, mas a medida não foi determinada para evitar “traumas”.
 
Zanin diz que essa afirmação tem “teor político” e que cargos que foram ocupados pelo réu não podem justificar decisões judiciais.
“Qual a prova de que o ex-presidente teria atuação que ensejaria qualquer medida cautelar? Nenhuma”, disse, repetindo que as afirmações contra Lula foram feitas pelos outros réus, que não tinham a obrigação de dizer a verdade em juízo.
 
Ainda na decisão, Moro também aponta contradições que Lula apresentou em depoimentos. À Polícia Federal, o ex-presidente disse que um dos motivos para não ficar com o tríplex foi que a sua mulher, Marisa Letícia, em segunda visita ao imóvel, constatou que não havia qualquer reforma.
 
No depoimento a Moro, em 10 de março, a versão foi outra. “Fica difícil conciliar essas declarações com a prestada em Juízo de que José Adelmário Pinheiro Filho [Léo Pinheiro] sequer teria informado que faria uma reforma no imóvel”, disse Moro.
 
Zanin afirmou que essa justificativa de Moro para a condenação “é um cenário de especulação que não se sustenta em nenhuma prova”.
 
O advogado disse que conversou com Lula ao telefone e que o ex-presidente está bastante sereno, mas com uma “indignação natural” por causa da “condenação sem provas”.
 
A equipe de advogados estava em audiência na Justiça Federal de Curitiba, na outra ação em que Lula é réu. Ao receber a notícia da condenação, no começo da tarde, voaram para São Paulo
 
Eles dizem que ainda estudam como recorrerão ao processo.

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