Espaço Sideral é tema de estudo de pernambucano que ganhou o mundo

Brasil 16/07/2017 às 09:00


 A preservação do meio ambiente extraterrestre é um tema pouco conhecido, mas um dos estudiosos da área é o jovem pernambucano Elias de Andrade Jr. de 31 anos. Ele vive em Viena, na Áustria e faz parte das delegações diplomáticas brasileiras no Comitê das Nações Unidas (ONU) sobre os usos pacícos do espaço desde 2012. Para chegar a este patamar prossional, o menino de sorriso aberto saiu do Vasco da Gama, bairro da Zona Norte do Recife, para ganhar o mundo há pelo menos dez anos.

Filho único, quando está no Brasil, ele vive com a mãe, Maria Aparecida, que é artista plástica: “Minha mãe trabalhou como decoradora do Galo da Madrugada por muitos anos. 
 
Recentemente ela refez o ensino médio e por ter sido a primeira da turma, ganhou bolsa para estudar nutrição”, conta orgulhoso. O momento atual de Dona Cida remete à trajetória veloz de Elias. Ele recebeu bolsa para nanciar os estudos ainda no Brasil,
enquanto estava no ensino médio: “Ganhei um auxílio para estudar na Escola Nossa Senhora de Fátima, em Paratibe, Paulista, e me recordo do longo caminho de ônibus do Vasco até lá”. Ele acordava de madrugada todos os dias para chegar no horário da aula, tendo nalizado o Ensino Médio em 2003.
 
PARA O MUNDO
Em 2005 Elias de Andrade entrou para o Seminário do Sagrado Coração de Jesus do Recife, onde cursou Filosoa. Destacou-se por saber falar inglês, sendo recrutado para o Seminário de Detroit, nos Estados Unidos, em 2006. “Saí do Brasil pela primeira vez com R$ 25,00 no bolso sem nunca ter entrado em um avião!”. Um semestre foi o suciente para Elias perceber que não queria continuar na vida religiosa.
 
Então, o lho de Dona Cida se deparou com um grande obstáculo: trocar o visto religioso para o estudantil. “Consegui bolsas de faculdades e patrocínios de americanos para estudar e voltar aos EUA em 2007”. A partir dali, o menino sorridente concluiu quatro formações em três anos e meio: ensino técnico em Astronomia e Ciência da Terra (Geologia) e um bacharelado nas modalidades Filosoa, Sociologia e Estudos Globais
(Relações Internacionais) na Universidade de St. Cloud, em Minnesota, EUA, em 2010.
Prestes a iniciar um mestrado em Chicago, Estados Unidos, o representante da ONU recebeu uma grande surpresa: ganhou mais uma bolsa, dessa vez para estudar na Universidade de Viena, na Áustria. "Pensei: é tudo ou nada. Se eu não for agora, não vou nunca mais!". E lá se foi ele, cursar o Erasmus Mundus Global Studies – Uma Perspectiva Europeia (EMGS), apontado entre os 10 melhores mestrados da Europa.
 
Departamento das Nações Unidas, em Nova Iorque, para os Usos Pacícos do Espaço Exterior, no ano de 2012. Ao se deparar com o Comitê da ONU onde astronomia, política, direito e economia se encontravam, ele despertou interesse pelos assuntos espaciais: "Timidamente me apresentei aos diplomatas do Itamaraty, e logo o embaixador do Brasil me agregou às delegações". O passo seguinte foi estagiar no escritório da ONU para os Assuntos Espaciais (UNOOSA), a Nasa das Nações Unidas, no qual ele prestou serviços para a Áustria, a Itália e o Japão.
 
Toda essa bagagem fez com que Elias de Andrade reunisse elementos necessários para escrever a tese do mestrado de Viena, obtendo a nota máxima pelo trabalho. Tal desempenho fez com que ele conquistasse mais uma bolsa completa para estudar na renomada Universidade Espacial Internacional (International Space University - ISU), França, a mais famosa no ramo e um sonho para quem deseja se aprofundar na área
espacial. O pernambucano foi o único estudante de um país em desenvolvimento a receber essa assistência. Com ela, Elias pode estudar no Canadá e na França e se aprofundar ainda mais na área dos assuntos espaciais.
 
VOZ
O principal papel desenvolvido pelas delegações da ONU, é negociar que o uso do espaço exterior seja feito de forma pacíca e justa entre todos os países, independentemente da situação econômica e do desenvolvimento tecnológico de cada
um deles. O objetivo é que o espaço não se torne uma nova colônia explorada apenas pelas potências mundiais. 
 
O Brasil tem um papel enorme no UNCOPUOS (United Nations Committee on the Peaceful Uses of Outer Space), como é conhecido o comitê em inglês, desde a sua criação em 1959, Elias segue o seu destino. “O país tem ganhado grande voz moderadora e trouxe itens para as agendas, como discussões sobre as tecnologias que irão minerar corpos celestes e sobre sustentabilidade”, explica.
 
E por falar em agenda, o recifense do Vasco da Gama, representante da ONU, está de passagem pelo Brasil para realizar palestras e ministrar aulas sobre o direito espacial:
“Quero aproveitar o tempo para trazer os conhecimentos de Viena até o Recife e abrir nossos olhos para o futuro das atividades espaciais”, conta. Ele também divulga o seu primeiro livro “Space Debris: A Great Leap Forward We Won’t Take” (Escombros Espaciais: Um Grande Salto para a Frente que Não Daremos). A obra retrata um dos maiores problemas envolvendo o espaço que é a produção do lixo espacial.
 
Com iformações do Jornal do Comércio
 

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