Lugar ao sol: artistas amazonenses lutam pela arte livre de preconceito

Cultura 24/07/2017 às 23:22


 Na capital amazonense, artistas tanto transexuais quanto drag queens cada vez mais se dedicam à batalha a favor da arte livre de preconceito. Uma delas é a cantora Melany Marinho, 26. Com 10 anos de carreira, ela sempre cantou sertanejo e defendeu o estilo. “Mas era muito difícil enfrentar o mercado em Manaus domado por homens, não se via mulher nenhuma nele. Até que em 2007 decidir me arriscar e a principalmente defender essa bandeira. O sertanejo e o estilo country já veio de berço pela minha família”, declara Melany.

Marinho, que assumiu sua identidade de gênero para sua família aos quatro anos, depois de adulta sofreu preconceito em sua carreira por ser transexual – este vindo por “colegas” de profissão e donos de casa de show em Manaus. Hoje, ela está trabalhando com um produtor para lançar seu primeiro CD. “É difícil pessoas investirem e abrirem a porta das oportunidades para nós, ainda quem tenha tanto talento pra mostrar. Sempre tive certeza de que um dia chegaria onde estou hoje. Lidei sempre com garra e perseverança de que o dia de fazer a diferença iria chegar”, pondera Melany.
 
Nascida das apresentações de teatro do publicitário Omã Freire, 27, a drag queen Ohana Jenner foi inspirada pela personagem que ele vivia nas peças, chamada Cleyde. Este foi o primeiro contato de Omã com a peruca e a maquiagem. “Com o tempo eu fui aprimorando as técnicas e tirei a Cleyde dos palcos e dei vida a Ohana na noite, como DJ”, conta ele. Freire acredita ter dado sorte em sua entrada no universo drag. “Quando comecei a fazer drag, as pessoas já estavam inseridas na cultura e assistiam shows de TV que tratavam do assunto, como RuPaul e Academia de Drags”, pontua ele, que também teve o apoio da família.
 
Freire se declara gay, cis, drag, ator, publicitário, e o que mais puder encaixar. “Meus maiores desafios são fazer as pessoas entenderem que a arte drag não está apenas em colocar uma peruca e bater cabelo ou dar ‘play’ na música. Está na construção de uma arte, assim como qualquer outra. Aos poucos estamos caminhando para essa inserção. As drags em Manaus estão ganhando espaço, visibilidade e mostrando que são muito mais que um rosto pintado. Somos palhaças sim, mas temos muito a oferecer”, completa Omã.

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