Os mais influentes por continente do ‘mundo futebol’ nos cinco continentes

Esporte 25/07/2017 às 22:15


 ESPN FC classificou os 50 homens e mulheres mais influentes no futebol e também mostrou os 10 maiores influenciadores em partes específicas do mundo, com a ajuda de especialistas baseados em cada região. 

 
Nota dos editores: as listas abaixo são independentes do Top 50 geral e projetadas para dar outro ponto de vista sobre quem exerce o poder em nível regional em todo o mundo.
 
Europa
1. Karl-Heinz Rummenigge (CEO do Bayern de Munique e presidente da Associação Europeia de Clubes)
2. Aleksander Ceferin (presidente da Uefa) 
3. Richard Scudamore (presidente executivo da Premier League)
4. Florentino Perez (presidente do Real Madrid)
5. Jorge Mendes (agente de jogadores)
6. Pep Guardiola (técnico do Manchester City)
7. Cristiano Ronaldo (jogador do Real Madrid e da seleção portuguesa) 
8. Mino Raiola (agente de jogadores)
9. PIerluigi Collina (presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa e chefe de arbitragem da Uefa)
10. Andrea Agnelli (presidente da Juventus e membro da Uefa ExCo)
 
Seria um pouco exagerado dizer que o futuro do futebol dos clubes europeus reside nas mãos de um único indivíduo, mas Rummenigge é o homem de frente em um corpo cuja influência no poder cresce cada vez mais e ainda pode conseguir mudar a face do esporte como o conhecemos.
 
A ECA (European Club Association, Associação Europeia de Clubes) representa os interesses dos clubes do continente e tem sido preocupante, particularmente para a Uefa, já que suas prioridades conflitam com as da entidade. Rummenigge é um homem do Bayern de Munique, que marcou a história do clube como jogador e, agora, lidera um conselho ambicioso. Ele insinuou no passado que as organizações do tamanho do Bayern poderiam procurar formar sua própria Superliga, não necessariamente sob a chancela da Uefa.
 
A ideia parece ter sido deixada de lado agora, mas a garantia de que 16 dos 32 concorrentes da fase de grupos da Champions League virão das quatro principais ligas a partir de 2018-2019 não parece ser um dos compromissos mais fáceis do órgão continental. No entanto, isso atingiria o objetivo da ECA:  criar mais confrontos entre as maiores equipes e, assim, conquistar audiências mais altas. Logo, a receita, potencialmente, seria maior.
 
Rummenigge tem criticado a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, capitaneada por Gianni Infantino, argumentando que privaria os melhores clubes de seus principais jogadores e reduziria a preparação para a temporada sequente. E esse é um tópico sobre o qual ele poderia encontrar um acordo mais universal.
 
Raramente com medo de ser franco, o relacionamento do Rummenigge com o novo presidente da uefa, Aleksander Ceferin, pode ser um subtrama interessante para assistir nos próximos anos. Acredita-se que Ceferin já esteja interessado em renegociar as mudanças para a Champions League, mas desenhou uma linha firme ao dizer que não tolerará nenhuma "chantagem" de certos clubes para a criação de uma Superliga.
 
As coisas podem se tornar mais quentes um dia, mas, por enquanto, a paz frágil parece mais provável. Rummenigge e Ceferin lideram associações que têm necessidades umas nas outras, e a notável carreira de ambos no futebol continua a crescer. - Por Nick Ames
 
 
 
América do Norte
1. Sunil Gulati (presidente do U.S. Soccer, membro do Conselho da Fifa)
2. Victor Montagliani (presidente da Concacaf e da Associação de Futebol do Canadá)
3. Decio De Maria (presidente da Federação do México)
4. Philippe Moggio (secretário geral da Concacaf)
5. Don Garber (comissionário da MLS e chefe executivo da Soccer United Marketing)
6. Philip Anschutz (dono do LA Galaxy)
7. Kathy Carter (presidente da Soccer United Marketing)
8. Emilio Azcarraga Jean (CEO da Televisa)
9. Alex Morgan (jogadora dos EUA)
10. Juan Carlos Rodriguez (presidente da Univision Deportes) 
 
O ‘cara’: Sunil Gulati
GETTY IMAGES
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Gulati é um velho conhecido do jogo. O professor de economia da Columbia University esteve envolvido no lado administrativo do esporte por mais de 30 anos e sofreu sua parte de contratempos ao longo do caminho, como perder a eleição vice-presidencial da Federação de Futebol dos EUA em 1998 e o direito de ser sede da Copa do Mundo de 2022.
 
No entanto, Gulati nunca reagiu a esses contratempos com raiva ou agitação, pelo menos publicamente. Em vez disso, ele simplesmente se diminuiu, silenciosamente cuidou de seus negócios e encontrou um caminho diferente. Oito anos depois da repreensão severa do USSF, ele foi eleito presidente, cargo que detém até hoje. E os EUA, juntamente com o México e o Canadá, são os favoritos para receber a Copa de 2026 e levar o torneio de volta à América do Norte pela primeira vez desde 1994.
 
Gulati também elevou seu poder ao jogo internacional. Foi eleito pela primeira vez no Comitê Executivo da Fifa em 2013 e continuou a servir no sucessor do ExCo, o Conselho da entidade. Ele ajudou a engendrar as eleições de Gianni Infantino para a presidência da Fifa no ano passado, mas não antes de manter sua promessa ao príncipe Ali para apoiá-lo na primeira rodada de votação.
 
Além disso, quando EUA, Canadá e México apresentaram seu plano para a Copa de 2026, considerou-se uma surpresa que os EUA receberiam de 75% das partidas. Mas isso simplesmente se conecta mais às habilidades de negociação de Gulati e sua capacidade de construir o consenso.
 
Claro, ele sofreu com as críticas. Sua estreita relação com Chuck Blazer, o recém-falecido ex-secretário geral da Concacaf, que estava no cerne do escândalo de corrupção da Fifa, levou a perguntas sobre como Gulati não poderia saber o que estava acontecendo. Mas ele permanece imaculado pela associação.
 
Gulati também foi criticado por aceitar o aparente bloqueio dos esforços de reformas da Fifa, incluindo a expulsão do ex-presidente do Comitê de Auditoria e Compliance, Domenico Scala. Mas olhou para outro caminho, é um exemplo da habilidade de Gulati na diplomacia, sabendo quando dar e quando avançar sobre as questões do dia, tudo em nome do avanço dos interesses do futebol norte-americano e da região em geral. - Por Jeff Carlisle
 
 
 
América do Sul
1. Alejandro Dominguez (presidente da Conmebol)
2. Tite (técnico da seleção brasileira)
3. Jorge Sampaoli (técnico da Argentina)
4. Oscar Washington Tabarez (técnico do Uruguai)
5. Jose Pekerman (técnico da Colômbia)
6. Juan Antonio Pizzi (técnico do Chile)
7. Rafael Dudamel (técnico da Venezuela)
8. Tostão (colunista, escritor, ex-jogador da seleção brasileira)
9. Cesar Luis Menotti (ex-técnico da Argentina)
10. Diego Maradona (ex-jogador e técnico da Argentina)
 
A tarefa de limpar a casa e recuperar credibilidade para a Conmebol ficou a cargo de Domínguez, ex-presidente da Federação Paraguaia. 
 
Quando o escândalo da Fifa explodiu em 2015, a maioria das prisões ocorreu na Suíça, mas, mais do que tudo, era uma crise das Américas e, especificamente, da ligação entre o futebol sul-americano e as redes de TV. A conexão nasceu em 1987, quando a Copa América voltou à vida e, à medida que a TV a cabo se tornou cada vez mais relevante, desenvolveu-se com a expansão das eliminatórias para a Copa do Mundo em 1996 e da Copa Libertadores quatro anos depois.
 
Mas as emissoras estavam adquirindo os direitos de transmissão a preços baixos - em detrimento dos clubes e em troca de propinas para funcionários. Foi um escândalo que abalou os próprios alicerces da Conmebol e de dois de seus presidentes - Nicolas Leoz, no cargo entre 1986 e 2013, e Juan Angel Napout, presidente em 2014 e 2015 -, que foram apanhados nas investigações.
 
O novo presidente, que possui licenciatura em economia na University of Kansas, está trabalhando duro para ser visto como um modernizador, enfatizando a transparência. O site da organização salienta a mudança para melhores práticas de gerenciamento, com a adoção de um novo logotipo, em uma tentativa clara de distanciar o regime atual do passado.
 
Mas Domínguez também tem algumas raízes no antigo regime. Ele é filho de Oswaldo Domínguez Dibb, um controverso ex-presidente do Olimpia, um dos grandes clubes do Paraguai. E Dominguez passou sete anos como vice-presidente da associação de futebol de seu país, então sob o comando de Napout. De fato, José Medina Segales, diretor da Federação Paraguaia nesse período, lançou recentemente suas preocupações sobre a conduta passada de Domínguez.
 
A tarefa que ele enfrenta não é fácil. Sob a pressão dos clubes, a Conmebol anunciou apressadamente uma mudança significativa no calendário sul-americano: em vez de jogados um após o outro, a Libertadores e a Sul-Americana agora ocorrem simultaneamente, durante todo o ano. O objetivo é torná-las mais lucrativos, mas a pressa com que a mudança foi feita causou um certo pânico.
 
Há tensão nos bastidores entre os clubes do Brasil, que favorecem o formato anual, e os da Argentina, que preferem a temporada europeia, de agosto a maio. E a falta de consulta antes de anunciar a mudança já se mostrou dispendiosa: os clubes mexicanos se retiraram da Libertadores, um grave revés para as finanças da confederação. -  Por Tim Vickery
 
Ásia
1. Sheikh Salman bin Ebrahim al-Khalifa (presidente da Confederação Asiática de Futebol)
2. Wang Jianlin (presidente do Wanda Group)
3. Jack Ma (fundador do grupo AliBaba e dono do Guangzhou Evergrande)
4. Xi Jinping (president da China)
5. Zaw Zaw (presidente da Federação de Futebol de Myanmar)
6. Zhang Jindong (dono da Inter de Milão, Jiangsu Suning e PPTV)
7. Marcello Lippi (técnico da China)
8. Praful Patel (vice-presidente da Confederação Asiática de Futebol)
9. Hassan Al Thawadi (secretário geral do Comitê da Copa do Mundo no Qatar-2022)
10. Moya Dodd (membro do comitê executivo da Confederação Asiática de Futebol)
 
 
Suave, sofisticado e seguro em seu cargo de presidente da Confederação Asiática de Futebol, o xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa tem poucos rivais continentais quando se trata de influência global. Aos 51 anos, ele tem o tempo ao seu lado, caso a Fifa decida, no futuro, olhar para fora da Europa e da América do Sul para um presidente. 
 
O membro da família real que governa o Bahrein passou a figurar nas manchetes do futebol em 2009, quando desafiou o então presidente Mohamed bin Hammam para a cadeira qatari no Comitê Executivo da Fifa. Bin Hamman disse que a votação também serviria como um referendo sobre a sua presidência e, se perdesse, desistiria. Ele quase fez com que sua campanha se tornasse incrivelmente amarga. Era o que Salman precisava para aparecer na política do futebol asiático.
 
Depois que Bin Hamman foi suspenso do futebol por toda a vida pelo Comitê de Ética da Fifa, Sheikh Salman concorreu para a presidência da AFC em 2013 contra Yousuf Al Serkal, dos Emirados Árabes Unidos, e Worawi Makudi, da Tailândia. Com a ajuda do influente xeque xiita Ahmad al-Fahad al-Sabah, também presidente do Conselho Olímpico da Ásia, ganhou facilmente. Salman foi eleito sem oposição em 2015 e também assegurou que o presidente da AFC tivesse uma cadeira automático no principal comitê de decisão da Fifa.
 
No ano seguinte, ele foi um dos candidatos para a presidência da Fifa e, com o apoio de grande parte da África e da Ásia, bem como dos EUA inicialmente, parecia que Salman venceria o Gianni Infantino, mas não foi bem assim.
 
A corrida para a Fifa fez com que Salman tivesse uma maior votação do que ele havia recebido na Ásia, e ele negou qualquer irregularidade em resposta às alegações de envolvimento na identificação de futebolistas que participaram de protestos pró-democracia no Bahrein em 2011.
 
Suas conquistas na AFC são um verdadeiro mix. Houve um maior apoio para o futebol feminino e, recentemente, as punições por corrupção na confederação cresceram. Mas a transparência prometida antes de sua vitória eleitoral em 2013 não foi abundante. Salman também prefere não visitar a sede da organização em Kuala Lumpur; aqueles que querem uma reunião costumam se dirigir para o Bahrein. - Por John Duerden
 
 
África
1. Ahmad Ahmad (president da Confederação Africana de Futebol)
2. Patrice Motsepe (dono do Mamelodi Sundowns)
3. Fran Hilton-Smith (diretor técnico da Associaão de Futebol da África do Sul)
4. Moise Katumbi (dono do TP Mazembe)
5. Amaju Pinnick (presidente da Federação de Futebol da Nigéria e membro do comitê executivo da Confederação Africana de Futebol)
6. Philip Chiyangwa (presidente da Southern Africa Football Associations)
7. Isha Johansen (presidente do Sierra Leone FA, membro do comitê executivo da Confederação Africana de Futebol)
8. Mortada Mansour (presidente do Zamalek)
9. James Kwesi Appiah (técnico de Gana)
10. John Shittu (agente de jogadores)
 
Antes de ser persuadido a concorrer ao mais alto cargo no futebol africano, Ahmad não era um membro influente nem pretencioso ao mais alto cargo do continente. Na verdade, parafraseando alguns cabos eleitorais de seu oponente Issa Hayatou, no auge das eleições, ele quase não se registrou no comitê executivo, apesar de ser um membro dele. 
 
Agora, Ahmad é o homem que canta as jogadas e, como parte central de uma nova era para a CAF, ele está planejando uma revisão abrangente do sistema africano, tanto do ponto de vista comercial quanto do futebol. Este apoio, ao lado de uma aliança coletiva com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, parece ser aquele que vai dar um novo direcionamento para a região.
 
Nascido no Madagascar, Ahmad mostrou algumas ideias ousadas durante sua corrida para o cargo, incluindo um foco renovado no futebol feminino, dando aos ex-jogadores mais uma palavra nos assuntos da CAF e desmantelando parcerias comerciais desfavoráveis.
 
O novo presidente, que se recusou a obter um salário por seu trabalho na entidade, considerará possíveis melhorias no calendário de futebol africano e também poderá prosseguir com a ideia de a expansão da Copa das Nações Africanas para 24 times.
 
É o primeiro passo para tomar decisões de mudança de jogo que teriam um impacto duradouro no continente. Ele pode não ter aparecido anteriormente no radar de muitas pessoas, mas é para Ahmad que todos no futebol africano agora olham para ver em que direção os ventos sopram. - Por Colin Udoh

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