Mundo do fisiculturismo se abala com mortes prematuras recentes de atletas

Esporte 27/08/2017 às 00:21


A partir de 2019, o fisiculturismo fará parte das competições oficiais dos Jogos Pan-Americanos. A modalidade, que premia o atleta que melhor molda seu corpo, também é conhecida como culturismo e já foi praticada por Arnold Schwarzenegger, campeão mundial sete vezes. Recentemente, porém, o mundo esportivo sofreu a perda de três "bodybuilders" — nome dado a quem se dedica à tarefa de modelar os músculos corporais. Um deles, o famoso Rich Piana, que morreu após entrar em coma induzido.

Os acidentes levantaram a discussão sobre doping e uso de anabolizantes no esporte. Piana foi resgatado em sua casa, após sofrer um colapso no banheiro. De acordo com o site TMZ, o relatório policial afirma que ele tinha 20 frascos de esteroides em sua residência. Sua namorada, Chanel Renee, relatou que o fisiculturista estava "limpo", mas que havia lutado contra o vício de ópio no passado. O atleta foi colocado em coma induzido, mas acabou não resistindo e morreu na última sexta-feira (25).

Enquanto Piana, que contava com mais de 1,2 milhão de seguidores no Instagram, lutava pela vida, a família de uma "bodybuilder" de 25 anos descobriu a causa de sua morte. O consumo excessivo de proteína pela atleta australiana Meegan Hefford ocasionou a fatalidade, pois seu corpo sofria de deficiência para metabolizar a substância. A garota morreu em junho.

Ao canal CNN, a mãe de Hefford afirmou que a filha não sabia que sofria do problema e consumia "muita proteína". Ela culpa os shakes, ricos nessa substância, pela morte da australiana.

Na África do Sul, o competidor Sifiso Lungelo Thabete quebrou o pescoço ao tentar realizar uma acrobacia. Ele já foi campeão mundial júnior e participava de um torneio de "bodybuilding". Durante seu aquecimento, Thabete pretendia realizar um mortal para trás, um de seus movimentos característicos, mas acabou errando o salto e se machucando. A lesão foi fatal.

O Dr. Ricardo Munir Nahas, especialista em medicina do esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), comentou o risco e a recorrência do uso de hormônios na prática esportiva. "O maior perigo da prática do fisiculturismo é o uso de anabolizantes. E não há acompanhamento para uso seguro de anabolizantes. O fisiculturismo privilegia uma qualidade física básica: a força. Existe um limite para todo mundo, um limite genético. Você não consegue desenvolver massa muscular além daquilo que sua mãe e seu pai lhe mandaram. A menos que você use uma medida artificial, geralmente os anabolizantes", ressaltou.

"Os efeitos ruins são muito grandes para se correr o risco por um esporte. Não vejo sentido em arriscar ter câncer de fígado ou de testículo e parar com a produção de espermatozoides. Além de hipertensão, agride o rim, tem que ser metabolizado", falou o especialista, em referência aos anabolizantes.

Ele disse que os esteroides existem para ajudar a curar doenças específicas, como o câncer e a falta de hormônios. "O anabolizante existe, mas tem seu uso médico, na dosagem correta e para doenças precisas. Mas são dosagens ínfimas perto das que usam no esporte", alertou o Dr. Ricardo Nahas, lembrando dos diversos casos de doping flagrados nas competições de halterofilismo recentemente.

"Muitos atletas já foram surpreendidos pelo doping, por uso de drogas anabolizantes. O fisiculturismo é um esporte e, desde que você não faça esse uso, não tenho nada contra ele. Agora, o que a gente é contra é o uso de drogas ilícitas e de drogas lícitas de maneira ilícita. Tem que ter o 'fair play', competir e treinar com o que você tem", concluiu Nahas.

Compartilhe isso

Comentários