Embaixador do Sri Lanka no Brasil é denuciado acusado de crime de guerra

Brasil 29/08/2017 às 16:08


Grupos de Direitos Humanos na América do Sul alegam violações de crimes de guerra em ações contra o embaixador do Sri Lanka no Brasil e cinco outros países da América Latina. Jagath Jayasuriya é um ex-general que atuou como comandante na fase final da guerra civil do país asiático em 2009. Os documentos alegam que Jayasuriya supervisionou unidades militares que atacaram hospitais, torturaram e mataram milhares de pessoas.

Jayasuriya tem imunidade diplomática nos países onde é embaixador: Brasil, Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Suriname. No entanto, os grupos por trás dos processos esperam que os documentos obriguem os governos regionais a extraditá-lo. Há muitos anos os grupos de Direitos Humanos acusam o ex-general, mas o governo do Sri Lanka se recusou a julgá-lo ou a outras pessoas alegadamente envolvidas em abusos de guerra. Pouco depois do fim da guerra, Jayasuriya se aposentou no serviço militar e foi nomeado embaixador no Brasil em 2015.

O jurista espanhol Carlos Castresana Fernández, advogado que coordenou a investida, disse à Associated Press que ajuizou ações nesta segunda-feira no Brasil e na Colômbia. As petições também serão feitas na Argentina, no Chile e no Peru nos próximos dias, disse ele, acrescentando que as autoridades no Suriname, porém, se recusaram a aceitar o processo.

"Este é um genocídio que foi esquecido, mas isso forçará países democráticos a fazer algo", disse Fernández. "Este é apenas o início da luta".

A Associated Press tentou contato com a Embaixada do Sri Lanka em Brasília por meio de ligações e e-mail, mas não houve resposta. Embora oficiais de Justiça brasileiros tenham afirmado que o embaixador deixou o país no último domingo, o paradeiro de Jayasuriya é desconhecido, pois a informação não foi confirmada.

Os processos criminais, revisados pela AP, foram liderados pelo grupo de Direitos Humanos do Projeto Internacional de Verdade e Justiça, uma organização de coleta de provas com sede na África do Sul. As ações têm três objetivos centrais: pressionar as autoridades locais para abrir as investigações de Jayasuriya, remover sua imunidade diplomática e extraditá-lo.

Muitas das nações onde Jayasuriya é embaixador têm suas próprias histórias de ditaduras militares e tortura. Ele foi comandante da Força de Segurança Vanni de 2007 a 2009, um dos períodos mais sangrentos em uma guerra que estimou ter matado mais de 100 mil pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima o número de mortes entre 40 mil e 70 mil na fase final.

A guerra civil no Sri Lanka, uma ilha na ponta do sul da Índia, atravessou intermitentemente entre 1983 e 2009. Alimentado em parte por tensões étnicas entre cidadãos cingaleses e tâmeis, uma insurgência contra o governo foi liderada por um grupo chamado Tigres de Libertação de Tamil Eelam. Eles lutaram para estabelecer um estado tâmil separado na parte nordeste da ilha.

Fernandez, o advogado coordenador, tem experiência em trabalhar contra criminosos de guerra. Ele participou de casos internacionais contra o general argentino Jorge Rafael Videla e o general chileno Augusto Pinochet, além de ter ajudado a acusar membros do crime organizado, incluindo o ex-presidente Alfonso Portillo.

De acordo com as ações, Jayasuriya supervisionou um local de tortura no Sri Lanka. O Projeto Internacional de Verdade e Justiça disse que entrevistou 14 sobreviventes de tortura ou violência sexual no campo.

 

 

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