Presidente da Suíça diz que corrupção da Petrobrás é 'problema do Brasil'

Brasil 04/09/2017 às 16:17


 A presidente das Confederações Suíças, Doris Leuthard, rejeita qualquer falha por parte do sistema suíço no controle de lavagem de dinheiro. Para ela, o caso da corrupção que começou com a Petrobrás é "um problema do Brasil, não da Suíça".  

Em três anos de investigações, o Ministério Público da Suíça já congelou mais de mil contas envolvendo a corrupção no Brasil e nos casos apurados pela Operação Lava Jato - 42 bancos foram identificados e mais de 60 processos foram abertos em Berna. No total, recursos avaliados em mais de US$ 1,1 bilhão foram congelados pelos suíços, de acordo com o MP do país europeu. 
 
Questionada pelo Estado, em coletiva de imprensa, se o sistema de controle dos bancos suíços havia falhado ao aceitar esse dinheiro, Leuthard, que ocupa cargo equivalente ao de presidente da República no Brasil, respondeu de forma enfática. "Há outros países com mais dinheiro", disse. "No começo desse processo, o problema parecia ser a Petrobrás", afirmou a presidente, que também alerta que outros grupos passaram a estar envolvidos. 
 
"Temos um dos mecanismos mais fortes de controle e se alguém nos pede para restituir os fundos, fazemos", justificou. "Se o Brasil quer um processo (para reaver o dinheiro), estamos prontos para ajudar", insistiu. Até agora, cerca de US$ 200 milhões congelados na Suíça foram devolvidos aos cofres brasileiros. 
 
Mas ela insiste que o problema da Lava Jato é do Brasil. "Não confunda os problemas do passado com o presente. Não confunda. É um problema brasileiro. Não suíço", disse. 
 
De acordo com Leuthard, a Suíça hoje "cumpre as regras internacionais" de combate à corrupção.  
 
Para ela, apenas a Suíça tem devolvido dinheiro. Nem a França, EUA ou Reino Unido o fazem. "Não vejo outros países fazendo isso", disse. A presidente também aponta clientes tem apresentado "construções" para justificar o depósito de dinheiro. 
 
"Sempre que podem, nossos bancos fazem muito. Eu estaria feliz se todos os bancos do mundo fizessem isso. Temos um dos controles mais fortes do mundo. A maioria do dinheiro não está aqui", completou.

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