Manoel Jr é citado no inquérito da PF sobre o “quadrilhão do PMDB”

Política 12/09/2017 às 10:13


 O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, é citado no relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito investigou o chamado “PMDB da Câmara”, grupo de deputados e ex-deputados do partido. Júnior era parlamentar até o fim do ano passado, quando renunciou ao mandato para assumir o cargo de vice de Luciano Cartaxo (PSD). A PF aponta o presidente Michel Temer (PMDB) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) como integrantes de uma organização criminosa. As informações são da revista Veja.

 
A Polícia Federal atribui ao grupo, segundo a revista, as práticas dos delitos de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Informações do jornal O Estado de São Paulo dão conta ainda de que o relatório aponta o recebimento de R$ 31,5 milhões em propinas pelo presidente Michel Temer. As informações foram divulgadas no mesmo dia em que o vice-prefeito disse, ao Jornal da Paraíba, que o PMDB da Paraíba não figuraria entre os denunciados por qualquer denúncia relacionada ao PMDB da Câmara.
 
No relatório, relativo ao inquérito 4327, revela a Veja, os investigadores incluem ainda os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os três já estão presos. O documento já foi enviado ao Ministério Público Federal e deve ser um dos elementos que subsidiarão nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer, a ser apresentada até sexta-feira. Ele deixa o cargo no próximo dia 17 e será substituído por Raquel Dodge.
 
“Integrantes da cúpula do partido supostamente mantinham estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta”, disse a PF em nota, que acrescenta que “o grupo agia através de infrações penais, tais como: corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, evasão de divisas, entre outros crimes cujas penas máximas são superiores a 4 anos”.
 
Considerado operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro também foi citado no relatório. Ele fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado na semana passada pelo relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin. Em seus depoimentos, Funaro afirmou que Temer não apenas sabia dos esquemas de corrupção do partido como participou deles, recebendo propinas ou intermediando dinheiro ilícito a campanhas de aliados. As revelações do doleiro também devem ser usadas por Janot na denúncia contra o presidente.

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