Nuzman é preso sob suspeita de atuar na compra de votos para Rio-16

Brasil 05/10/2017 às 09:26


 A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (5) o presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Carlos Arthur Nuzman 75, e Leonardo Gryner, seu braço direito no comitê organizador da Rio-16. Os dois são suspeitos de atuarem na compra de votos para a escolha da cidade para sediar os Jogos Olímpicos.

 
Na história dos Jogos, Nuzman foi o único presidente do comitê organizador a acumular o cargo de mandatário do comitê olímpico do país-sede.
 
A operação é um desdobramento da Operação "Unfair Play", que investiga a compra do voto do senegalês Lamine Diack por US$ 2 milhões. O empresário Arthur César Soares de Menezes, foragido há um mês, foi o responsável por pagar a quantia semanas antes da escolha, em outubro de 2009, em Copenhague, de acordo com as investigações.
 
Vinte agentes da Polícia Federal efetuaram a prisão, bem como cumprem seis mandados de busca e apreensão em endereço ligados as dois. Os envolvidos "serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa", segundo a PF.
 
Nuzman é investigado sob suspeita de ter feito a "ponte" entre o esquema de corrupção do governo Sérgio Cabral (PMDB) e os membros do COI. A propina ao senegalês foi debitada, segundo a Procuradoria, da devida pelo empresário Menezes Soares, o "Rei Arthur", ao peemedebista. O empresário obteve mais de R$ 3 bilhões em contratos com o Estado.
 
Gryner admitiu em depoimento ao Ministério Público que encontrou com Soares e discutiu com ele o patrocínio de eventos da IAAF, entidade comandada por Lamine Diack. A reunião foi intermediada por Cabral, afirmou o executivo em depoimento.
 
Após a deflagração da Unfair Play, a Procuradoria identificou cinco e-mails nos quais Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, cobrava transferências de recursos, cuja origem não era identificada.
 
"Nós estamos na sexta feira, 11 de dezembro de 2009, e meu banco Societe General de Senegal ainda não recebeu nenhuma transferência de sua parte. Eu tentei falar com Leonardo Gryner diversas vezes mas não houve resposta. Você poderia verificar com ele se ele pode confirmar 100% que as transferências foram feitas a meus endereços em Dacar ou em Moscou", escreveu Papa Diack, em dezembro de 2009.
 
O Ministério Público Federal afirma que as mensagens indicam que "os pagamentos não se limitaram a US$ 2 milhões [pagos em setembro], tendo havido pagamentos subsequentes".
 
Em outra mensagem, o filho do dirigente senegalês afirma que o atraso no pagamento gerou "de nosso lado todo tipo de constrangimento de pessoas que confiaram no nosso comprometimento em Copenhague".
 
A Procuradoria afirma ter provas de pagamento de propina apenas a Lamine Diack. Contudo, a procuradora Fabiana Schneider afirmou que o senegalês tinha ascendência sobre outros dirigentes africanos, o que poderia determinar o voto de mais membros do COI.
 
Em 26 de novembro de 2009, Gryner havia enviado um e-mail para Massata Diack afirmando que "como eu disse a você em Copenhague, nós temos um patrocinador diferente para essa última porção".
 
"Esse patrocinador está tendo problemas com essa transferência e estamos tentando ajudar ele", escreveu Gryner.
 
Há um mês, a defesa de Nuzman afirmou que "toda a jornada da Olimpíada do Rio, da candidatura à cerimônia de encerramento, foi conduzida dentro da lei".
 
PRISÃO 'DURA E NÃO USUAL'
 
O advogado Nélio Machado considerou "dura e não usual" a prisão desta quinta-feira. Machado chegou na casa do cartola no início da manhã. Outros três advogados já estavam na residência de Nuzman.
 
Machado disse que "ainda estava se inteirando do caso". Nuzman deverá deixar a residência nas próximas horas. Cinco agentes da Polícia Federal estão na casa do cartola, no Leblon, zona sul do Rio.

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