Moody's avalia ser mais fácil decidir sobre rating do Brasil em 2018

Brasil 10/10/2017 às 18:07


A Moody's terá mais facilidade para tomar uma decisão sobre o rating soberano do Brasil no próximo ano caso o governo não consiga aprovar uma reforma da Previdência até o início de 2018, disse nesta terça-feira o responsável por ratings soberanos de América Latina na Moody's, Mauro Leos.

"Se não houver nenhuma reforma nem expectativa por reforma até o primeiro trimestre de ano que vem, aí nossa decisão será mais fácil", disse Leos a jornalistas as margens de evento da Moody's, sinalizando que uma expectativa mais pessimista se consolidaria para o país.

Atualmente, a Moody's classifica o país com nota Ba2, com perspectiva negativa.

 Contas fiscais

É pouco provável que as contas fiscais brasileiras tenham melhora nos próximos anos a ponto de estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB, um dos principais indicadores de solvência de um país, disse Mauro Leos. No melhor cenário, a dívida/PIB deve se estabilizar em 2020 na casa dos 80%, nível acima de outros emergentes, incluindo países do mesmo rating do Brasil.
 
“Não vemos a relação dívida/PIB se estabilizando em 2018 e 2019. Para se estabilizar em 2020 todas as coisas precisam ir na direção certa”, disse ele, citando a necessidade de aprovação da reforma da Previdência, o PIB voltando a crescer na casa dos 3% e a Selic mantida no patamar de 8%. “No melhor cenário, é possível que a dívida/PIB se estabilizaria em 2020.”
 
Leos ressaltou que o Brasil tem apresentado déficits primários elevados nos últimos anos e que os números têm piorado. Ele mostrou em uma apresentação previsões oficiais do governo, que revisou as projeções do rombo nos próximos anos. “O maior desafio para o perfil de crédito do Brasil é fiscal, fiscal e fiscal”, disse Leos em sua apresentação.
 
Com esse nível de déficit primário é muito improvável que a relação dívida/PIB vá se estabilizar, disse Leos, mostrando em um gráfico que o indicador do Brasil está em 72,8% em média no período de 2015/2018, acima do que era em anos anteriores, quando estava na casa dos 50%. Até onde este indicador vai subir e por quanto tempo ficará neste patamar são fatores importantes para determinar o rating soberano do Brasil, observou o analista da Moody’s.
 
Leos ressaltou que há alguns fatores necessários, mas não suficientes, para tentar reduzir a dívida/PIB. Um deles é o maior crescimento da economia, que ajuda a arrecadação do governo. Mesmo assim ele ressaltou que é preciso um crescimento sustentável, não apenas em um ou outro ano. Entre outros fatores essenciais para reduzir a dívida é reforma da Previdência e o cumprimento do teto que limita o aumento do gasto público.
 
Na questão fiscal, Leos citou que o Brasil tem flexibilidade limitada no Orçamento do governo. Só a previdência consome ao redor de 50% do orçamento no Brasil, bem acima da média da América Latina, que é 26%. O Brasil paga com juros (25% do orçamento) muito mais que seus vizinhos (10% em média), ressaltou o analista da Moody’s.
 
Investimento
 
Já o investimento consome apenas 1% do orçamento do governo brasileiro, enquanto na América Latina a média é de 18%, ressaltou ele. As taxas de investimento do Brasil são menores que outros mercados, incluindo o Paraguai, disse Leos. Para o PIB voltar a crescer de forma mais sustentada, será preciso que o investimento ganhe tração, ressaltou o analista.
 
Entre os fatores positivos do Brasil, o analista da Moody’s citou as contas externas, com o déficit em transações correntes caindo nos últimos meses, as elevadas reservas internacionais e a baixa exposição da dívida pública brasileira ao financiamento externo. Em todos estes indicadores, o Brasil tem posição melhor que países do mesmo rating, ao contrário dos indicadores fiscais, em que a situação brasileira é bem pior.

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