Premiê espanhol pede que Catalunha esclareça se declarou independência

Mundo 12/10/2017 às 13:14


O premiê espanhol, Mariano Rajoy, pediu nesta quarta-feira (11) que o governo regional catalão esclareça se declarou ou não a sua independência na véspera. Da resposta dependerá sua reação.
 
O governo catalão tem até segunda-feira (16) para responder formalmente ao questionamento de Rajoy. Caso diga que sim, declarou a independência, tem até a quinta-feira seguinte (19) para recuar na proclamação.
 
Com o pedido, Rajoy acionou o controverso Artigo 155, um mecanismo nunca antes utilizado na Espanha. O texto prevê que o governo questione a administração regional e, caso não esteja satisfeito com o resultado, tome uma série de medidas —incluindo suspender a autonomia parcial da Catalunha e forçar eleições antecipadas.
 
A ativação do artigo, apoiada pelas principais forças políticas, pode ser feita diretamente pelo premiê. Mas, para ações mais drásticas, como a suspensão temporária da autonomia catalã, Rajoy precisa da aprovação da maioria absoluta do Senado. Ele já tem esses números com sua sigla, o conservador Partido Popular.
 
Seu questionamento ao presidente catalão, o separatista Carles Puigdemont, ocorre um dia depois de um discurso no Parlamento regional, sediado em Barcelona.
 
Puigdemont disse ter um mandato para criar uma república catalã, mas em seguida pediu a suspensão da independência para travar um diálogo com Madri. Agravando a incerteza, ele próprio assinou uma declaração unilateral com partidos separatistas, apesar de isso ter sido feito às margens da plenária, com valor simbólico.
 
Para a surpresa de todas as forças políticas, incluindo separatistas, não ficou claro se Puigdemont havia declarado ou não sua secessão.
 
"Se Puigdemont respeitar a legalidade, encerraria um período de ilegalidade e incerteza", disse Rajoy. "É o que esperam todos para por fim à situação que está sendo vivida na Catalunha."
 
Puigdemont, por sua vez, disse em uma entrevista à CNN que está disposto ao diálogo. "Chegamos a um ponto em que o mais importante é que não haja condições prévias para nos sentarmos e conversarmos" disse.

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