Desembargador relator da Lava Jato alerta para reações contra operação

Brasil 02/11/2017 às 23:05


 Relator da Operação Lava Jato na segunda instância, o desembargador João Pedro Gebran, 52, fez um alerta a jornalistas de diversos países latino-americanos em relação a tentativas de reação contra a investigação.

 
"Tanto os que souberam conduzir o processo quanto os que querem frustrar a Lava Jato aprenderam com a Operação Mãos Limpas, disse ele, na abertura da Colpin (Conferência Latino-americana de Jornalismo de Investigação), em Buenos Aires.
 
"Corremos o risco de ter o mesmo desfecho, e não é um desfecho bonito. Pessoas investigadas se reorganizaram e reagiram às investigações."
 
Segundo ele, os quatro anos da operação frustraram "todas as pessoas que apostaram contra o sistema, que conseguiam se livrar no passado". Mas a reação institucional, avalia, é capaz de trazer retrocessos que "podem colocar a Lava Jato em xeque".
 
Entre essas reações, Gebran elencou a tentativa de aprovar a lei de abuso de autoridade e a volta do entendimento de que um réu só pode ser preso quando não for mais possível recorrer de um processo.
 
"Argumenta-se que a prisão apenas com trânsito em julgado beneficia a pessoa hipossuficiente. Mas os processos dessas não conseguem chegar ao STF, e isso ninguém fala", afirmou. "Enquanto isso vigorou, nenhuma pessoa com condição de contratar advogados qualificados ficou presa."
 
O desembargador atribuiu o sucesso da Operação até aqui à postura vigilante da imprensa brasileira. "Há um dito de que quando se puxa uma pena vem a galinha inteira; na Lava Jato veio o galinheiro inteiro, em todas as regiões do Brasil –em breve talvez até no Nordeste."
 
Gebran foi apresentado pelo jornalista Fernando Rodrigues, do site "Poder360", como "um juiz 'línea dura'". Após contestar em parte a descrição, o magistrado pediu desculpas aos jornalistas presentes por não poder comentar casos concretos que vá julgar e por falar em português -"meu espanhol é pra lá de sofrível".
 
A conferência é organizada pelo Fopea (Fórum de Periodismo Argentino) e pelo Instituto Prensa y Sociedad, do Peru. Tem apoio da Transparência Internacional e da Unesco.

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