João Pessoa e mais duas cidades são eleitas para rede de cidades criativas

Cultura 02/11/2017 às 23:11


 Mais três cidades brasileiras foram escolhidas para integrar a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A rede foi criada em 2004 para promover a cooperação entre municípios de todo o mundo que tratem a criatividade como fator estratégico de desenvolvimento urbano sustentável.

As localidades brasileiras que passam a fazer parte da rede são Brasília, em reconhecimento ao design hoje desenvolvido na capital federal; João Pessoa (PB), pela qualidade de seu artesanato e manifestações artísticas populares, e Paraty (RJ), em função da gastronomia criativa.
 
Mais 61 localidades de 44 países receberam terça-feira (31) o título de cidades criativas. Com isso, a rede da Unesco passa a contar com um total de 180 municípios, de 72 países, distribuídos por sete categorias: artesanato/artes populares; artes digitais; desenho; cinema; gastronomia; literatura e música.
 
Cinco cidades brasileiras já faziam parte da rede: Belém (PA) e Florianópolis (SC), na categoria gastronomia; Curitiba (PR), em design; Salvador (BA), música, e Santos (SP), na modalidade cinema.
 
Ao anunciar as 64 novas integrantes da rede, a diretora-geral da Unesco, a búlgara Irina Bokova, comentou que as novas incorporações demonstram que a rede tem procurado reconhecer e reunir os esforços de cidades bastante diferentes entre si. “Também demonstram melhor equilíbrio geográfico, já que acabam de ser escolhidas 19 cidades de países que ainda não estavam representados na rede”, disse a diretora, lembrando que a Unesco estimulou cidades de países africanos a se candidatar.
 
Ao ingressar na rede, as cidades assumem o compromisso de desenvolver e trocar experiências inovadoras de promoção à indústria criativa e de participação popular nas práticas e atividades culturais. Além disso, ações de estímulo e preservação das manifestações culturais locais devem integrar as políticas de desenvolvimento urbano sustentável.
 
Repercussões
 
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, comemorou a inclusão de Brasília como uma conquista obtida, coincidentemente, no ano que marca os 30 anos do reconhecimento do Plano Piloto da capital federal como Patrimônio Cultural da Humanidade. Concebido pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, o projeto é considerado um marco do urbanismo contemporâneo e levou Brasília a ser tombada pela Unesco.
 
“Vamos aproveitar esse novo título para incrementar ainda mais Brasília como cidade cultural, criativa, turística”, disse Rollemberg. A candidatura da capital na categoria design havia sido lançada no início de junho deste ano, mas a proposta de integrar a rede da Unesco já constava de um plano de desenvolvimento do turismo criativo apresentado pela secretaria estadual de Esporte, Turismo e Lazer no início do ano passado e que contém ações públicas a serem desenvolvidas até 2019.
 
A prefeitura de João Pessoa anunciou que a integração da capital paraibana à Rede de Cidades Criativas dará mais visibilidade, credibilidade e mercado para diversas associações de artesãos que fazem da arte que produzem com as próprias mãos uma alternativa de sustento e de manutenção da cultura popular.
 
Ao inscrever a cidade para fazer parte da rede de cooperação internacional, a prefeitura elaborou um dossiê que incluía uma carta assinada pelo prefeito Luciano Cartaxo, que se comprometeu a apoiar, nos próximos anos, as atividades do segmento de artesanato e cultura popular.
 
“Esse era um sonho nosso antigo. João Pessoa vive um momento muito especial de premiações e receber esse título nos enche de orgulho e motivação para continuar investindo muito na cultura popular, no artesanato e, principalmente, nos artesãos, nos artistas”, declarou o prefeito.
 
Para a secretária de Cultura de Paraty, Cristina Maseda, o título será muito importante para a pequena cidade histórica do litoral sul fluminense. “Isso coloca Paraty na rede internacional de cidades criativas e estimula o setor gastronômico, do produtor até a mesa, possibilitando o incremento de geração de emprego e renda”.

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