Em crise, futebol de PE pode ter inédita queda tripla; entenda os motivos

Esporte 09/11/2017 às 23:28


 Apaixonado por futebol, o povo pernambucano teve poucos motivos para sorrir em 2017. E incontáveis razões para se preocupar. Sport, na Série A, e Santa Cruz e Náutico, na Série B, estão no Z-4 de suas respectivas competições, convivendo com ameaça real de queda. E isto pode render um fato inédito e doloroso: nunca os três caíram no mesmo ano para divisões inferiores desde que foi criado o regulamento sobre rebaixamentos, em 1988.

Em meio a este momento de crise que vive o trio do Recife, o GloboEsporte.com levantou os pontos que os levaram a este fim de temporada de fortes (e amargas) emoções:
 
SPORT
 
O Leão tinha altos objetivos no ano. Em momentos distintos da temporada, diretoria e presidência traçaram brigas por títulos na Copa Sul-Americana, Copa do Brasil, Copa do Nordeste e ao menos uma vaga na Libertadores 2018 via Brasileiro. Ao fim do ano, nenhuma dessas metas foi cumprida. O Sport ganhou o Pernambucano, mas fracassou em todas as demais competições e luta contra a queda na Série A (é o 17º, com 36 pontos, a dois do Vitória, primeiro time fora do Z-4, e a cinco rodadas do fim).
 
Falta de convicção no início do trabalho
 
A efetivação de Daniel Paulista no início de 2017 foi cheia de idas e vindas. A princípio, a ideia era ter um treinador mais experiente. A diretoria chegou a conversar com Adilson Batista, porém recuou após repercussão negativa nas redes sociais. A falta de convicção se manteve mesmo após decidirem manter Daniel. Tanto que ele foi "demitido" com apenas duas derrotas no ano.
 
Escohas mal-sucedidas de treinadores
 
Depois da saída de Daniel Paulista, que voltou a ser auxiliar, o Sport mudou o perfil do técnico. Apostou em medalhões. Nenhum deles deu certo. Ney Franco começou bem, mas caiu após derrota na final da Copa do Nordeste para o Bahia. Foi substituído pelo badalado Vanderlei Luxemburgo, que seguiu o roteiro: início positivo e final decepcionante.
 
Turbulências internas
 
A gestão de Luxemburgo mexeu internamente com o Sport. O técnico identificou um grupo de jogadores na "zona de conforto". Na busca para tirar os atletas desse estado, o treinador cobrou muito - interna e publicamente. O problema é que as broncas via imprensa minaram o ambiente interno do Leão. Hoje, a torcida está dividida em relação ao comprometimento do elenco - e também sobram críticas para a diretoria, por suposta "conivência" com os líderes do grupo.
 
Montagem de elenco
 
Ao contrário do seus pares no Recife, o Sport não contratou muito em 2017. Foram 16 reforços no ano. O problema é que muitos não vingaram. Jogadores até certo ponto badalados, como os atacantes Leandro Pereira (21 jogos e 4 gols no ano) e Marquinhos (15 jogos na temporada, quatro como titular) decepcionaram. Outros, como Neris e Igor, não jogaram ou atuaram pouco. O cenário piorou quando atletas importantes, a exemplo de Everton Felipe, se lesionaram. Atualmente, o Leão tem poucas opções de banco de reservas para o meio de campo e ataque.
 
SANTA CRUZ
 
Bicampeonatos da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano e o retorno para a Série A do Campeonato Brasileiro. Estas eram as metas no início do ano, mesmo com o rebaixamento à Série B na temporada anterior. Os títulos não vieram, o acesso ficou impossível e um novo rebaixamento, desta vez para a Série C, virou a realidade mais provável no Arruda (o Tricolor é o 18º na Série B, com 33 pontos, a sete do primeiro fora do Z-4 faltando apenas quatro rodadas.).
 
Atrasos de salários
 
É difícil falar sobre as mazelas do Santa Cruz e não tocar nesse assunto, que é problema recorrente há anos. Inclusive, o clube chegou a ser punido com a perda de três pontos da temporada passada, e ainda assim voltou a atrasar os salários em 2017, deixando jogadores e treinadores incomodados com a situação. Neste momento, o elenco tem quatro meses em aberto.
 
Troca de treinadores
 
O Santa Cruz começou o ano com Vinícius Eutrópio, que montou o elenco mas nunca conseguiu encantar. Depois das eliminações na Copa do Nordeste e no Campeonato Pernambucano, muitos já pediam a cabeça do técnico, que caiu na sexta rodada da Série B. Sem dinheiro em caixa, manteve o interino Adriano Teixeira por cinco jogos até contratar Givanildo Oliveira, que foi demitido depois de seis jogos seguidos sem vencer. Martelotte foi contratado para tentar salvar, mas não conseguiu uma reação.
 
Novo time
 
Assim que foi rebaixado no ano passado, o Santa Cruz sofreu uma debandada dos seus principais jogadores. João Paulo, Keno, Grafite, Tiago Cardoso, Uillian Correia e Arthur, por exemplo, deram adeus ao Arruda e o ano começou apenas com três remanescentes - Vítor, Tiago Costa e Wellington Cézar. O novo time não conseguiu o entrosamento ideal no primeiro semestre e acabou passando por várias mudanças na Série B - o Tricolor foi uma das cinco equipes que mais usaram atletas na competição, um total de 40. Ao todo, o Santa Cruz fez 37 contratações.
 
Pouca base
 
Nos seus piores momentos, o Santa Cruz sempre recorreu às categorias de base. Foi assim em 2011, quando estava na Série D e viu surgir uma geração vitoriosa com Gilberto, Natan, Renatinho, Memo e Everton Sena. Nesta temporada, isso foi deixado de lado. Os garotos foram emprestados para clubes menores, mas não conseguiram jogar. O atacante André Luís, que é da base do Atlético-PR, mas foi contratado para o Sub-20 do Santa no ano passado, é o único destaque no Arruda.
 
NÁUTICO
 
O Náutico conviveu com diversos problemas ao longo do ano. Alguns dentro das quatro linhas e outros tantos fora de campo. O Timbu passou de um time que quase subiu em 2016 para um que depende de um milagre para se salvar do rebaixamento um ano depois - é o 19º na Série B, com 31 pontos, a nove do primeiro time fora do Z-4 e faltando apenas quatro rodadas.
 
Crise financeira
 
O Náutico começou o ano montando uma folha financeira de R$ 1,2 milhão. Conviveu com salários atrasados, greve dos atletas e no meio do ano se viu obrigado a remontar tudo, enxugando a folha para R$ 450 mil. Mesmo assim, ainda houve quem saísse da equipe na fase final da temporada reclamando de novos atrasos, como o meia Giovanni.
 
Remontagem do elenco
 
A crise financeira fez o Náutico perder algumas referências do elenco, como o meia Marco Antônio, o volante Maylson, o zagueiro Tiago Alves e o atacante Anselmo, porque não se encaixavam mais no patamar financeiro do clube - Anselmo, inclusive, criticou muito a diretoria. Outros jogadores, mais desconhecidos, tiveram de ser contratados e o nível técnico caiu.
 
Anselmo  Anselmo 
 
Anselmo "soltou os cachorros" contra diretoria após saída (Foto: Aldo Carneiro (Pernambuco Press) )
 
Excesso de contratações
 
Há de se explicar: a remontagem fez o Náutico perder muitos atletas - ao todo, 20. Por isso, teve de contratar aos montes. Mas o número não deixa de ser assustador: em 2017, o Timbu contratou, ao todo 36 jogadores, sendo 14 para a disputa do Estadual, Copa do Nordeste e Copa do Brasil e outros 22 para a Série B.
 
Troca de treinadores
 
O Náutico foi o clube da capital que mais contratou treinadores. Começou o ano com Dado Cavalcanti e depois trouxe Milton Cruz. Só na disputa da Série B, foram outros três: Waldemar Lemos, Beto Campos e, por último, Roberto Fernandes.
 
Política conturbada
 
O ambiente político do clube foi muito mexido. Em um biênio, o Timbu teve quatro presidentes - Marcos Freitas, Ivan Brondi, Gustavo Ventura e Ivan Pinto da Rocha. A estrutura da diretoria de futebol, carro chefe do clube, foi mudada três vezes só neste ano. A instabilidade refletiu na montagem confusa do elenco.

Compartilhe isso

Comentários