Venezuela deu 'calote seletivo' em dívida de US$ 200 mi, diz Standard & Poor's

Mundo 14/11/2017 às 09:13


 A agência de classificação de risco Standard & Poor's disse nesta terça-feira (14) que a Venezuela entrou em um "calote seletivo" por não pagar uma dívida de US$ 200 milhões (R$ 660 milhões).

 
Os pagamentos de bônus de dívidas com vencimentos em 2019 e 2024 deveriam ter sido feitos há 30 dias, mas não aconteceram, o que levou a agência a anunciar a medida.
 
A agência decidiu rebaixar a nota da dívida soberana em moeda estrangeira de longo prazo do país para SD (sigla para calote seletivo, em tradução do inglês), o que significa que o país não pagou um bônus específico, mas ainda pretende honrar suas dívidas.
 
Segundo a Standard & Poor's, que foi a primeira agência a anunciar um default venezuelano, "existe uma chance em duas da Venezuela cometer um novo calote nos próximos três meses."
 
A agência fez o anúncio poucas horas depois de uma reunião entre o governo do ditador Nicolás Maduro e credores internacionais da PDVSA (a estatal venezuelana de petróleo).
 
Entre 60 e 100 detentores de títulos da empresa foram recebidos em Caracas após um chamado de Maduro, que pretende renegociar a dívida externa de US$ 60 bilhões (R$ 196 bilhões) da estatal petroleira.
 
Maduro havia declarado, no domingo (12), que 400 investidores haviam confirmado presença no encontro e que a Venezuela jamais entraria em default (calote).
 
A expectativa era de que, na reunião, o governo apresentasse propostas sobre como pretende pagar seus compromissos de curto e longo prazo. Mas, ao que parece, nada disso aconteceu.
 
De acordo com investidores que participaram do evento, o vice-presidente, Tareck El Aissami, e o ministro das Finanças, Simón Zerpa, apenas leram uma nota e prometeram que mesas técnicas serão montadas para discutir como será feita a reestruturação da dívida.
 
"Não propuseram nada, foi uma oportunidade perdida", afirmou à agência Reuters um dos investidores que participou do encontro.

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