Cinema, TV, música e literatura: confira os melhores do ano na cultura

Cultura 26/12/2017 às 14:27


“Corra!” “Corra!”

 Em quase todo fim de ano, é de praxe fazermos a famosa lista de quem “bombou” nos últimos doze meses na literatura, na música, no cinema e na televisão (que há um tempo engloba também o streaming). Em 2017 não poderia ser diferente. Em cada uma dessas áreas, apesar de algumas surpresas desagradáveis, tivemos uma boa oferta de produções de qualidade na cultura.

Na parte cinematográfica, “Corra!” figura entre os filmes que merecem sua atenção. Indicado ao Globo de Ouro em duas categorias, o longa chegou de mansinho, surpreendeu a crítica e é cotado para concorrer ao Oscar em categorias importantes no ano que vem. Cria brasileira, “Bingo: O Rei das Manhãs” também está entre os melhores: se há alguma implicância com o cinema nacional, deixe-a de lado e dê uma chance ao filme. Vale a pena.
 
Na TV, uma série que precisa entrar em sua lista é a premiada “Big Little Lies” (HBO) – também indicada ao Globo de Ouro e com segunda temporada confirmada. Na Netflix, encontram-se ainda a surpreendente “The Sinner”, minissérie em que Jessica Biel finalmente mostra seu talento para atuar; e “Mindhunter”, uma série policial sem ação, mas ainda assim sensacional.
 
Já na música, Harry Styles finalmente lançou seu primeiro álbum solo, surpreendendo a todos com uma pegada completamente diferente do seu passado no One Direction. Por aqui, Diogo Nogueira e seu “Munduê” também ganhou espaço na nossa seleção, com seu primeiro disco 100% autoral.
 
A literatura, por sua vez, traz o novo lançamento de Neil Gaiman, “Mitologia Nórdica”, presença constante na lista dos livros mais vendidos – com méritos. Veja abaixo nosso top 5 de melhores do ano em cada categoria.
 
O melhor da telona
 
"Planeta dos Macacos: A Guerra" (Matt Reeves)
 
Poucas trilogias no cinema recente cresceram tanto quanto “O Planeta dos Macacos”. A história do primata César em busca de um lugar seguro para seus pares impressiona pela carga dramática e pelo desenvolvimento de suas narrativas. Talvez o melhor filme do ano.
 
"Bingo: O Rei das Manhãs" (Daniel Rezende)
 
“Bingo” merecia sorte maior na disputa pelo Oscar, mas ficar de fora da premiação não tira seus méritos. A história do Bozo Arlindo Barreto é uma ode nunca vista à cultura pop brasuca. Ótima montagem, texto divertido e excelente atuação de Vladimir Brichta.
 
"Star Wars: Os Últimos Jedi" (Rian Johnson)
 
“Os Últimos Jedi” não é o melhor filme da franquia, mas tudo bem – poucos filmes na história são melhores que “O Império Contra Ataca”. A nova aventura de Rey, Luke, Leia, Chewbacca e cia. quase se perde em determinado momento, mas consegue recapturar o público com sequências belíssimas e muitas emoções para os fãs, que não são poucos. Não dê bola às chatices que andam dizendo sobre o filme e corra para os cinemas.
 
"Corra!" (Jordan Peele)
 
Ninguém dava nada pelo suspense de Jordan Peele, mas o filme, misturando gêneros distintos e um forte discurso social, conquistou o público e a crítica – já se fala, inclusive, em Oscar em principais categorias. Um exagero, talvez, mas que mostra a força do filme.
 
"Blade Runner 2049" (Dennis Villeneuve)
 
Demorou... Demorou pra caramba, mas “Blade Runner” (1982) finalmente teve uma continuação. Surpreende que o filme de Dennis Villeneuve tenha ficado de fora das primeiras premiações da temporada. Azar das premiações. Com Ryan Gosling no elenco, o longa traz Deckard (Harrison Ford) de volta e continua a história do clássico de Ridley Scott com dignidade e um espetáculo visual.
 
O melhor da música
 
Muita gente duvidou por ele ser ex-integrante da boy band One Direction, mas o primeiro álbum solo de Harry Styles surpreendeu. Com a pegada do rock britânico dos anos 1970, ele estourou nas paradas com “Sign of the Times” e ganhou o respeito da crítica.
 
"Continental" - Bullet Bane
 
O Bullet Bane vinha há tempos se firmando como um dos grandes nomes do hardcore nacional, mas pouca gente esperava o que a banda entregou com “Continental”. Com um som mais trabalhado – mas sem esquecer a velocidade – e letras em português, a banda paulista ganhou relevância e entregou o melhor disco do rock nacional em 2017.
 
"Espiral de Ilusão" - Criolo
 
O samba sempre esteve presente nos trabalhos do rapper paulista, mas a intimidade que ele demonstra com o estilo em “Espiral de Ilusão” impressiona. Criolo se mostra à vontade em canções que lembram mestres como Paulinho da Viola, por exemplo. Para sair cantarolando após a primeira audição.
 
"Roteiro Pra Aïnouz, Vol. 3" - Don L
 
O rapper cearense, já veterano na cena mas pouco conhecido, faz uma espécie de desabafo em um álbum muito bem produzido, com nove faixas bem maduras que sintetizam o bom momento do rap brasileiro.
 
"Munduê" - Diogo Nogueira
 
Por ter sido lançado neste mês, o primeiro trabalho 100% autoral de Diogo pode ser injustiçado nas listas, mas merece a nossa atenção. O disco faz um resgate das raízes do sambista, com uma exaltação à ancestralidade do gênero musical e até mesmo um posicionamento político forte.
 
O melhor da TV/ streaming
 
"The Sinner" (Netflix)
 
Algumas listas por aí ignoraram uma das melhores estreias do ano. A trama começa quando uma mulher curte uma tarde tranquila em família na praia e, do nada, mata a facadas um homem na frente de todos. Não é spoiler: com muitas reviravoltas, os oito episódios da minissérie giram em torno da investigação do crime. Afinal, o que motivou o ataque de fúria? Roteiro excelente e ótima atuação de Jessica Biel.
 
"Mindhunter" (Netflix)
 
Uma série policial sem tiros ou perseguições não é bem uma novidade – “The Wire” fez isso já há alguns anos –, mas “Mindhunter” inova ao mergulhar na cabeça de serial killers e tentar entender seus atos. Acontece que ninguém se aproxima tanto desse mundo e consegue sair ileso. Nem os agentes, nem o espectador.
 
"Big Little Lies" (HBO)
 
O que esperar de uma série que reúne Reese Witherspoon e Nicole Kidman, vencedoras de Oscar, como duas das protagonistas? Algo muito bom, no mínimo. Mas “Big Little Lies” vai além de “muito bom” e, com sua história que mistura segredos, mentiras e vidas de fachada, mereceu cada prêmio e indicação que levou – inclusive ao Globo de Ouro.
 
É uma pena que uma das séries mais legais do ano tenha sido ignorada por aqui. O drama inspirado no livro de Margaret Atwood mostra uma sociedade em que crianças pararam de nascer e as mulheres ainda férteis se tornaram uma espécie de escravas reprodutoras. Uma série dura, seca, mas comovente e que prende o espectador.
 
"Conversa com Bial" (TV Globo)
 
Pedro Bial sempre foi bom jornalista, mas acabou “esquecido” à frente do “Big Brother Brasil”. Em “Conversa com Bial” ele mostra todo seu repertório em ótimas entrevistas tanto com nomes conhecidos pelo grande público quanto com fenômenos de internet ou estudiosos de assuntos relevantes. Destaque? Bial foi ao Uruguai conversar com Pepe Mujica. É para poucos.
 
O melhor da literatura
 
"Mitologia Nórdica" (Neil Gaiman)
 
Neil Gaiman é um dos autores mais impressionantes do nosso tempo. Em seu mais recente trabalho, o britânico usa seu talento para contar histórias fantásticas para recriar os contos da mitologia nórdica, da gênese o ragnarok. Forte e sombrio, mas, ainda assim, divertido e de fácil leitura.
 
"Noite Dentro da Noite" (Joca Reiners Terron)
 
Romance mais ambicioso do escritor, é uma narrativa sinuosa que parte de um acontecimento real: na infância, Joca – e o personagem do livro – sofreu um acidente, bateu a cabeça, e passou a ser medicado com barbitúricos. Ele então escreve uma espécie de biografia, contendo vários desvios na sua própria trajetória.
 
"Aqui" (Richard McGuire)
 
O personagem principal dessa graphic novel é o canto da sala de uma casa – como se uma câmera fosse colocada ali, apontando para o mesmo lugar, em todas as páginas.
 
O modo como o quadrinista americano desenvolve essa ideia
 
é primoroso.
 
"Anos de Formação: Os Diários de Emilio Renzi" (Ricardo Puglia)
 
“A vida é uma cadeia de encontros casuais, mas tentamos nos explicar a nós mesmos como se escolhêssemos tudo desde o início”, diz Piglia nesse livro. O autor costura anotações da época com textos reeditados que passeiam entre pontos de vista e focos narrativos, sem deixar nenhuma aresta em aberto a não ser aquela que a literatura descortina diante do abismo.
 
"Os homens explicam tudo para mim" (Rebecca Solnit)
 
O ensaio da jornalista e escritora americana aborda, de uma maneira leve, mas certeira, as opressões historicamente sofridas pelas mulheres, incluindo o silenciamento pouco notado no dia a dia.
 
 
 
 

Compartilhe isso

Comentários